
Os recentes tremores registrados em estados brasileiros reacenderam a curiosidade sobre a atividade sísmica no país. Embora o Brasil esteja localizado longe das principais zonas de encontro entre placas tectônicas, o território nacional já foi palco do maior terremoto oficialmente registrado em sua história um abalo de magnitude estimada em 6,2 ocorrido em Mato Grosso.
Segundo reportagem do G1 Mato Grosso, o tremor aconteceu na madrugada de 31 de janeiro de 1955, na região da Serra do Tombador, área que atualmente integra o município de Juara, no norte do estado. Na época, a localidade era praticamente desabitada, o que fez com que o fenômeno passasse quase despercebido, apesar da sua intensidade.
De acordo com especialistas da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), o terremoto atingiu intensidade VII na Escala Mercalli Modificada, classificação considerada forte e capaz de provocar danos significativos em edificações vulneráveis.
Mesmo com o epicentro localizado em uma área remota, os reflexos do tremor foram sentidos a centenas de quilômetros de distância. Estudos apontam que moradores de Cuiabá relataram ter percebido os efeitos do abalo, demonstrando a força do fenômeno.
Diferentemente dos grandes terremotos registrados em países como Chile e Japão, o evento ocorrido em Mato Grosso não foi provocado pelo choque entre placas tectônicas. Especialistas explicam que o abalo foi resultado de movimentações internas da própria Placa Sul-Americana, fenômeno conhecido como terremoto intraplaca.

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Outro fator que chamou a atenção dos pesquisadores foi a profundidade do sismo. O terremoto ocorreu a pouco mais de 10 quilômetros da superfície, sendo considerado um evento raso. Nessas condições, os impactos costumam ser mais intensos, já que a energia liberada percorre uma distância menor até atingir a superfície.
Apesar de ter sido o maior terremoto genuinamente brasileiro já registrado, Mato Grosso continua apresentando atividade sísmica esporádica. A região de Porto dos Gaúchos, localizada a cerca de 110 quilômetros da Serra do Tombador, concentra diversos registros de tremores ao longo das últimas décadas, incluindo um abalo de magnitude 5,1 em 1998.
Especialistas afirmam que não é possível prever quando um novo terremoto de grande magnitude poderá ocorrer. No entanto, ressaltam que eventos semelhantes ao registrado em 1955 podem voltar a acontecer, especialmente em áreas geologicamente suscetíveis a movimentações internas da crosta terrestre.
Embora mais de sete décadas tenham se passado desde o episódio histórico, o terremoto de Juara segue como um dos acontecimentos geológicos mais marcantes já registrados no Brasil e continua sendo referência para estudos sobre a atividade sísmica no território nacional.

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