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terça-feira, 9, junho, 2026

Pescadores de Sorriso, Sinop, Itaúba e Colíder cobram estudos após aumento de peixe abotoado no Teles Pires

Pescadores profissionais e esportivos que atuam no Rio Teles Pires, no Norte de Mato Grosso, relatam um aumento significativo na presença do peixe abotoado (Pterodoras granulosus), espécie que tem se tornado cada vez mais frequente em trechos do rio que cortam os municípios de Sorriso, Sinop, Itaúba e Colíder. O fenômeno tem gerado preocupação entre trabalhadores da pesca, que apontam impactos na atividade e cobram estudos para compreender as causas da proliferação.

Segundo relatos de moradores ribeirinhos e pescadores da região, a espécie, antes considerada pouco comum em diversos pontos do Teles Pires, passou a aparecer em grandes quantidades nos últimos anos. A percepção é de que a presença do abotoado se intensificou principalmente após as transformações ambientais ocorridas no rio em decorrência da implantação de empreendimentos hidrelétricos.

Além da alta incidência nas capturas, pescadores afirmam que o peixe provoca prejuízos devido à sua estrutura corporal composta por placas ósseas e espinhos rígidos, que frequentemente danificam redes e outros equipamentos utilizados na pesca artesanal.

A discussão voltou a ganhar destaque nos últimos dias após a circulação de vídeos nas redes sociais mostrando grandes cardumes da espécie em áreas do Rio Teles Pires. As imagens chamaram a atenção pela quantidade de exemplares concentrados em um mesmo local e reacenderam o debate sobre possíveis mudanças na dinâmica ambiental da bacia.

Para quem depende diretamente da pesca como fonte de renda, o cenário é motivo de preocupação. Trabalhadores do setor afirmam que, em alguns pontos, espécies tradicionalmente capturadas passaram a dividir espaço com o abotoado, alterando a rotina da atividade e reduzindo o valor comercial das pescarias.

Fenômeno já havia sido observado

Os registros sobre o aumento da população do abotoado na região não são recentes. Em 2021, pescadores já relatavam a presença incomum da espécie nas proximidades da Usina Hidrelétrica Sinop. Na ocasião, especialistas destacaram que apenas estudos científicos poderiam apontar as causas do fenômeno com precisão.

Entre as hipóteses discutidas por pesquisadores estão possíveis alterações ambientais provocadas pela formação de reservatórios, mudanças no fluxo natural das águas e adaptações da fauna aquática às novas condições do rio. No entanto, até o momento, não há consenso científico que estabeleça uma relação direta entre esses fatores e o crescimento populacional da espécie.

A concessionária responsável pela UHE Sinop informou anteriormente que nunca realizou ações de repovoamento do Rio Teles Pires com o peixe abotoado, ressaltando que qualquer procedimento dessa natureza depende de autorização dos órgãos ambientais competentes.

Espécie tem função ecológica importante

Apesar das reclamações dos pescadores, especialistas destacam que o abotoado desempenha papel relevante no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. A espécie possui hábitos alimentares associados ao consumo de matéria orgânica depositada no fundo dos rios, além de pequenos invertebrados, frutos e sementes.

Por atuar na reciclagem de nutrientes e na limpeza natural do ambiente aquático, o peixe é considerado importante para a manutenção da qualidade dos ecossistemas. O desafio, segundo pesquisadores, é compreender se houve uma alteração significativa na densidade populacional da espécie e quais impactos isso pode gerar sobre outras espécies nativas e sobre a atividade pesqueira.

Pescadores pedem monitoramento

Diante do aumento dos registros, pescadores defendem a realização de estudos independentes e monitoramentos permanentes no Rio Teles Pires. A categoria argumenta que a produção de dados técnicos é fundamental para esclarecer as causas da proliferação da espécie e subsidiar futuras decisões relacionadas à gestão dos recursos pesqueiros da região.

Enquanto não há respostas definitivas, o avanço do peixe abotoado segue sendo tema de preocupação entre comunidades ribeirinhas e trabalhadores da pesca, que acompanham de perto as mudanças observadas nas águas de um dos principais rios do Norte de Mato Grosso.

NORTÃO MT

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