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segunda-feira, 15, junho, 2026

Tarifas propostas pelos EUA podem atingir mais de 30% das exportações brasileiras, aponta CNI

Foto: Agência Brasil/EBC

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que mais da metade das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos poderá ser impactada caso avancem as propostas tarifárias em análise pelo governo norte-americano.

Segundo a entidade, 31,6% dos produtos exportados pelo Brasil para o mercado americano passariam a ser taxados em 37,5%, percentual significativamente superior aos atuais 10% aplicados sobre parte das mercadorias. Outros 3,6% das exportações brasileiras teriam aumento tarifário para 12,5%.

Com a adoção das medidas propostas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), cerca de 35,2% das exportações brasileiras passariam a sofrer incidência das novas tarifas. Quando consideradas também as medidas setoriais já em vigor, a parcela de produtos brasileiros submetidos a algum tipo de taxação adicional poderá alcançar 54,1%.

A CNI alerta que as medidas têm potencial para gerar impactos negativos nas cadeias produtivas e aumentar os custos para empresas dos dois países.

Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, a ampliação das tarifas pode reduzir a competitividade das empresas e elevar a insegurança para novos investimentos.

Entre os produtos brasileiros que poderão ser mais afetados pela tarifa de 37,5% estão o ferro-gusa não ligado, açúcar de cana em forma sólida, sebo não comestível, álcool etílico não desnaturado e molduras de madeira de pinho.

O ferro-gusa aparece entre os itens de maior relevância econômica. Somente em 2024, as exportações brasileiras do produto para os Estados Unidos movimentaram cerca de US$ 1,5 bilhão.

Já a tarifa de 12,5% poderá atingir produtos como minério de ferro e concentrados, lajes de quartzito, óleos essenciais de laranja, silício e pasta química de madeira utilizada em processos industriais.

Investigações comerciais

As propostas são resultado de investigações conduzidas pelo USTR com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Em uma das análises, o órgão concluiu que determinadas práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e questões ambientais poderiam representar restrições ao comércio dos Estados Unidos.

Como consequência, foi sugerida uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, com exceções para itens como café, suco de laranja e carne.

Outra investigação abordou questões relacionadas ao combate ao trabalho forçado em diversos países. Nesse processo, o Brasil foi incluído entre as nações que, segundo o entendimento do órgão norte-americano, não aplicariam de forma efetiva restrições à importação de produtos associados a essa prática. Nesse caso, foi proposta uma tarifa adicional de 12,5% para parte das mercadorias.

Quando as duas medidas atingem simultaneamente um mesmo produto, a taxação adicional pode alcançar 37,5%.

Medidas ainda dependem de análise

As novas tarifas ainda não têm aplicação imediata. Antes de uma decisão definitiva, o governo dos Estados Unidos deverá realizar consultas públicas e audiências para discutir os impactos das medidas e receber contribuições de empresas, entidades e governos.

De acordo com a CNI, esse período será importante para que o Brasil apresente informações técnicas e argumentos em defesa da manutenção das atuais condições comerciais entre os dois países.

NORTÃO MT COM INFORMAÇÕES DA JOVEM PAN

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