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sábado, 7, março, 2026

Turismo de onças no Porto Jofre movimenta economia e reforça a importância da conservação, explica biólogo

O biólogo Hugo Fernandes publicou um vídeo nas redes sociais explicando o impacto econômico e ambiental do turismo de observação de onças-pintadas no Porto Jofre, região do Pantanal mato-grossense conhecida mundialmente pela alta concentração desses felinos.

Segundo ele, as onças do Jofre já estão acostumadas com a presença de barcos e turistas. “É muito comum vê-las dormindo, caçando ou até acasalando, mesmo com a aproximação das embarcações e o barulho dos motores”, afirmou o biólogo, destacando que a convivência é resultado de um manejo adequado e da familiaridade dos animais com a atividade turística.

Fernandes também fez questão de esclarecer um ponto importante: ninguém usa ceva para atrair onças na região. “O turismo é feito de forma ética e responsável, respeitando um bom distanciamento e sem interferir no comportamento natural dos animais”, explicou.

Turismo sustentável e impacto econômico

De acordo com o especialista, o turismo no Jofre é de base comunitária, com pouca interferência estatal, exceto pela legislação ambiental vigente. Mesmo com desafios estruturais, o modelo tem se mostrado eficiente para movimentar a economia local através da conservação.
“É possível gerar renda e emprego preservando o meio ambiente. A comunidade do Jofre já demonstrou que é capaz e comprometida com boas práticas de manejo”, reforçou.

Fernandes comentou ainda sobre os custos da experiência. O valor médio de 500 dólares por dia, cerca de R$ 1.800, pode parecer alto, mas, segundo ele, é um investimento justo considerando a estrutura e o impacto positivo na região. “Dois ou três dias, entre julho e setembro, são suficientes para avistar onças. É uma vivência única”, completou.

Estudo mostra que ecoturismo é 56 vezes mais lucrativo que perdas por predação

O biólogo também citou um estudo liderado por Fernando Tortato, da organização Panthera Brasil, publicado em 2017 na revista científica Global Ecology and Conservation. A pesquisa calculou a movimentação financeira de cinco lodges da região e revelou que a economia gerada pelo ecoturismo é 56 vezes maior do que as perdas provocadas pela predação de gado por onças-pintadas.

Apesar de o artigo ter sido publicado em 2017, com dados coletados em 2015, Hugo Fernandes ressalta que os números são conservadores. “Os cálculos atuais, que estão sendo revisados pela equipe da Panthera, devem mostrar um impacto ainda mais significativo”, disse.

Conservação que gera prosperidade

Com o crescimento do turismo ecológico, o Porto Jofre se consolidou como um dos destinos mais procurados por observadores de fauna do mundo todo. Para Hugo Fernandes, o exemplo do Jofre comprova que a conservação ambiental e o desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.

“Boas práticas se constroem com o tempo. O que acontece no Jofre é a prova viva de que preservar também é uma forma de prosperar”, concluiu o biólogo no vídeo.

Referência: Tortato et al. (2017). Global Ecology and Conservation, 11(C): 106–114.

Nortão MT

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