
Antes mesmo do sol nascer em Cuiabá, dezenas de pessoas já se posicionam em silêncio em uma fila que revela uma dura realidade social. Homens, mulheres e idosos aguardam pacientemente para receber um alimento simples, mas que para muitos representa a garantia de uma refeição na mesa: ossos bovinos.
A cena se repete duas vezes por semana há quase duas décadas e ficou conhecida popularmente como a “fila do ossinho”, localizada na região do CPA. A situação chamou a atenção da estudante de jornalismo Sandy Mio, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que decidiu transformar essa realidade no tema de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
O projeto foi desenvolvido em formato de documentário, como uma grande reportagem experimental, com o objetivo de mostrar as histórias e os rostos por trás da fila que, ao longo dos anos, se tornou parte da rotina de muitas famílias da região.
Na distribuição, cada pessoa recebe cerca de um quilo de ossos bovinos. Apesar de simples, o alimento ainda carrega pequenos pedaços de carne que acabam se transformando em sopas e caldos ou são adicionados ao feijão e a outros ingredientes para reforçar a alimentação da semana.

Para muitas famílias que enfrentam dificuldades financeiras, esse alimento representa uma das poucas garantias de proteína no prato. Os ossos são aproveitados ao máximo: viram caldo, sopa ou base para outros pratos que ajudam a alimentar crianças, idosos e toda a família.
O documentário busca justamente dar visibilidade a essa realidade pouco discutida, mostrando não apenas a fila, mas também as histórias de quem depende dessa ajuda para sobreviver. A produção retrata a dignidade e a resistência de pessoas que, mesmo diante das dificuldades, seguem enfrentando o dia a dia com esperança de dias melhores.
Nortão MT com Gazeta Digital









