
O crescimento acelerado da energia solar no Brasil, que já ultrapassa a marca de 60 gigawatts (GW) de potência instalada, traz um paradoxo para o setor elétrico: o risco de blecautes causados pelo excesso de oferta. Especialistas alertam que o sistema pode enfrentar instabilidades críticas já no primeiro trimestre de 2026, especialmente durante finais de semana e feriados, momentos em que a demanda por eletricidade cai drasticamente.
O Desafio Técnico
Segundo Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel e consultor do setor, o cenário é de “operação no limite”. A combinação de uma produção solar massiva com o baixo consumo cria um gargalo técnico. Fontes de base, como usinas nucleares e térmicas, não possuem flexibilidade para serem desligadas rapidamente, reduzindo a margem de manobra do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O risco é a repetição de eventos como o ocorrido no Dia dos Pais de 2025, quando o ONS precisou realizar cortes bruscos na geração para evitar um colapso na rede.
Medidas e Soluções
Para mitigar o problema, o ONS e a Aneel avaliam medidas emergenciais e estruturais:
- Curto Prazo: Cortes temporários programados (curtailment) e aumento da flexibilidade na operação das hidrelétricas.
- Longo Prazo: Modernização das redes de transmissão e a introdução de sistemas de armazenamento em baterias. O primeiro leilão de baterias do país está previsto para ocorrer ainda em 2026.
NORTÃO MT







