Comerciantes de Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum apontam desafios; clientes se dividem entre praticidade digital e confiança no atendimento presencial

Com a expansão acelerada das compras online, empresários de diversos municípios de Mato Grosso têm enfrentado uma batalha diária para manter seus estabelecimentos funcionando. Em Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, a queixa é praticamente unânime: a competitividade dos preços na internet e os altos custos fixos do comércio físico têm pressionado o setor.
Desafios em cada município
Em Sorriso, o empresário Carlos Menezes, dono de uma loja de roupas, afirma que o maior obstáculo é o custo operacional.
“Pago aluguel, impostos, água, luz e ainda tenho funcionários fixos. Isso pesa no preço final. Às vezes o cliente não entende por que uma camiseta custa mais aqui, mas são custos que uma loja virtual não tem”, explicou.
Em Sinop, a empresária Mariana Lobo, do setor de calçados, relata queda nas vendas desde 2023.
“Fornecedores repassam aumentos e o cliente compara diretamente com a internet. A margem fica apertada. Temos que concorrer com sites que vendem quase pelo preço que eu compro do distribuidor”, comentou.
Em Lucas do Rio Verde, o comerciante Eduardo Freitas, proprietário de uma loja de eletrônicos, cita a mudança no comportamento do consumidor.
“O cliente vem aqui, olha o produto e depois compra pela internet mais barato. A loja física virou vitrine gratuita para o e-commerce”, lamenta.
Em Nova Mutum, a lojista Rita Amaral destaca a burocracia como grande barreira.
“Enquanto no online o vendedor abre uma página e vende, nós precisamos lidar com alvarás, taxas municipais e estoque físico. É desleal”, criticou.
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Por que os preços locais são mais altos
Segundo os comerciantes, manter uma loja física significa lidar com uma série de gastos obrigatórios, como funcionário registrado, encargos trabalhistas, contabilidade, aluguel e tributos municipais e estaduais.
Em Sorriso, por exemplo, o valor de um tênis que custa R$ 150 na internet chegou a ser encontrado por até R$ 350 em loja física, diferença que gera reclamações e comparações constantes entre consumidores.
Consumidores divididos
O consumidor João Almeida, de Sinop, afirma que continua preferindo comprar no comércio local.
“Eu gosto de ver o produto na mão, experimentar, conversar com o vendedor. Às vezes dá para negociar o preço ou parcelar de um jeito que facilita. A internet não oferece isso”, disse.
Já Fernanda Ribeiro, moradora de Sorriso, admite que opta quase sempre por compras online.
“Na internet eu encontro mais variedade e preços bem mais em conta. Esse tênis que estava R$ 350 na loja da cidade eu comprei por R$ 150. É muita diferença”, relatou.
Setor busca alternativas
Para reduzir os impactos, lojistas têm investido em redes sociais, atendimento personalizado e até delivery local. Associações comerciais das quatro cidades estudam ações conjuntas para incentivar a população a consumir nas lojas físicas, gerando emprego e movimentando a economia do município.
Apesar das dificuldades, os empresários acreditam que o comércio tradicional ainda tem espaço desde que consiga se adaptar ao novo perfil do consumidor e equilibrar experiência presencial com estratégias digitais.
AGÊNCIA NORTÃO MT








