
João Vitor, de 14 anos, estudante da Escola Estadual Arlete Maria Cappellari, em Sorriso, está internado há 34 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Rita, em Várzea Grande, após sofrer traumatismo craniano ao ser empurrado por um colega de escola.
Conforme informações repassadas à reportagem do VGN nesta terça-feira (21.10), o adolescente subiu no muro da escola para pegar uma bola quando, segundo os pais, outro estudante o empurrou. “Ele subiu no muro para pegar a bola, do lado de dentro era baixo, mas do outro lado alto. Ele desistiu de pular, aí o colega veio e impulsionou ele, e ele caiu de cabeça”, relatou Josiane Teixeira Bredes, mãe do estudante.
O impacto causou uma grave lesão na cabeça. “O crânio dele quebrou e entrou pra dentro. Os médicos precisaram entubá-lo e induzir o coma. Graças a Deus conseguiram uma vaga aqui em Várzea Grande e o atendimento tem sido muito bom”, disse Josiane.
Segundo os pais, a escola chegou a prestar assistência financeira nas duas primeiras semanas, mas depois interrompeu a ajuda. “Quando tiraram o tubo do meu filho, acharam que ele já estava melhor e que não precisaríamos mais de ajuda. Foi o último dia que o tenente falou que estariam ajudando”, lamentou a mãe.

O pai, Felipe Bredes, ajudante de pintura, contou que deixou o trabalho para acompanhar o tratamento do filho. Além de João, o casal tem outros três filhos e Josiane está grávida de dois meses. “A gente não conhece ninguém aqui. Tentamos fazer algumas diárias, mas é difícil. Estamos vivendo de doações e da ajuda de pessoas que fazem vaquinhas online”, relatou.
De acordo com o casal, a escola informou inicialmente que o menino teria “escorregado e caído”, mas a investigação policial aponta que o colega o empurrou. “A escola mentiu pra mim. Disseram que ele tinha escorregado. Mas quando eu toquei na cabeça dele, a parte do crânio estava afundada. Se tivesse apenas escorregado, isso não teria acontecido”, afirmou Josiane.
Felipe reforçou que o colégio demorou a entregar as imagens das câmeras de segurança. “Falaram que as câmeras não pegavam, mas quando o investigador entrou, conseguiu as imagens em cinco minutos. Eu acredito que estavam protegendo alguém”, disse.
Os pais registraram boletim de ocorrência. A Delegacia informou que o vídeo não pode ser compartilhado com a família porque envolve outro menor. Eles terão acesso quando João estiver em condições de prestar depoimento.
Revoltado, o casal questiona como um incidente grave pôde ocorrer em uma escola cívico-militar. “A gente acha que o filho está seguro na escola. Não é possível que faltem oito professores e deixem as crianças soltas pra brincar juntas. Isso não é segurança”, desabafou Felipe.
Quem quiser ajudar a família pode enviar qualquer valor via Pix: (66) 99603-8936.
Outro lado
A reportagem do VGN entrou em contato com o militar Pedro Ramon, gestor cívico-militar da Escola Estadual Arlete Maria Cappellari, que não quis falar sobre o assunto. Ele orientou que o contato fosse feito com o diretor Talvane, que está afastado da escola em lua de mel. Pedro sugeriu que a reportagem buscasse no Google o telefone da escola e procurasse a secretária. Devido ao horário, e à unidade já ter encerrado o expediente, a reportagem entrará em contato pela manhã desta quarta-feira (22.10).








