
A visita do ministro da Educação, Camilo Santana, a Várzea Grande para a inauguração do novo campus do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), na região do Chapéu do Sol, foi marcada por um protesto de estudantes da rede pública estadual. Durante a agenda oficial, representantes do movimento estudantil entregaram ao ministro uma carta com denúncias e reivindicações, tendo como principal foco as críticas ao avanço da militarização das escolas.
O documento foi entregue pelo vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) em Mato Grosso, Layan de Moura, e pelo vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Estudantes Secundaristas (AME-MT), Murilo Ribeiro. Em entrevista nesta quinta-feira (5), Layan afirmou que a carta reúne problemas que, segundo os alunos, fazem parte da rotina das escolas estaduais.
Entre os pontos levantados, os estudantes questionam a forma como os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) são divulgados. De acordo com o movimento, há falta de transparência na apresentação dos dados e ausência de diálogo com a comunidade escolar, sem considerar os contextos sociais, estruturais e pedagógicos de cada unidade de ensino.
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O principal alvo das críticas, no entanto, é o que os estudantes classificam como “super militarização” das escolas estaduais. Segundo eles, o processo estaria sendo implementado de forma acelerada, sem consultas públicas efetivas, debates amplos ou participação democrática de estudantes, pais e profissionais da educação, promovendo mudanças profundas no projeto pedagógico das unidades de ensino.
A carta também aponta problemas nos processos de eleição de grêmios estudantis. Conforme o movimento, em algumas escolas as eleições ocorreriam sem transparência, sem ampla divulgação e, em certos casos, sem a consulta aos próprios estudantes, o que, segundo eles, fere o direito à organização estudantil e à participação política no ambiente escolar.
Os estudantes ainda afirmam que a realidade vivida nas escolas é diferente da apresentada em campanhas institucionais. De acordo com o documento, problemas estruturais, falta de investimentos, carência de profissionais, ausência de políticas de permanência e precarização do ensino fazem parte do cotidiano da rede estadual.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Murilo Ribeiro reforçou as críticas e mencionou o fechamento de escolas, a militarização em curto prazo e o encerramento de projetos culturais, que, segundo ele, são importantes para a formação dos alunos. Ao final, pediu apoio do Ministério da Educação para mudanças na política educacional do estado.
A entrega da carta ocorreu durante a cerimônia de inauguração do novo campus do IFMT em Várzea Grande. O documento reúne oficialmente as demandas do movimento estudantil secundarista de Mato Grosso e foi encaminhado ao Ministério da Educação.
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