
A fuga de integrantes de facções criminosas de Mato Grosso, especialmente das regiões de Sorriso e Sinop, para o estado do Rio de Janeiro tem se tornado uma etapa de aperfeiçoamento no crime organizado. A avaliação é do juiz Anderson Clayton Dias Batista, titular da 5ª Vara Criminal de Sinop, especializada no combate ao crime organizado.
Segundo o magistrado, somente na vara em que atua há mais de 170 mandados de prisão em aberto, sendo que cerca da metade é contra pessoas com ligação direta com facções criminosas que fugiram para o estado fluminense. Para ele, o Rio de Janeiro é hoje um ponto extremamente sensível no enfrentamento ao crime organizado, com reflexos diretos em Mato Grosso e em todo o país.
“O Rio de Janeiro tornou-se um verdadeiro paraíso para traficantes, principalmente porque a facção que predomina lá é o Comando Vermelho. Muitos criminosos saem de Mato Grosso e se escondem no Rio”, afirmou o juiz. Conforme Batista, facções mato-grossenses chegam a enviar dinheiro para manter os criminosos foragidos naquele estado, garantindo a permanência e a atuação deles no local.
De acordo com o magistrado, os criminosos não ficam apenas escondidos. Muitos passam a ganhar espaço dentro da estrutura do tráfico no Rio de Janeiro, tornando-se responsáveis por bocas de fumo, tráfico de armas e outras atividades ilícitas. “Isso gera uma espécie de especialização, um verdadeiro ‘pós-doutorado’ no crime”, destacou.
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O juiz também citou como exemplo a prática da extorsão de comerciantes, que, segundo ele, foi “importada” do Rio de Janeiro. “Há cerca de 10 anos, não existia em Mato Grosso organização criminosa extorquindo comerciantes. Hoje, essa prática se espalhou como uma praga, atingindo praticamente todos os bairros das cidades do Estado. Esse modelo começou no Rio há mais de 20 anos e agora está sendo reproduzido aqui”, explicou.
Casos envolvendo criminosos foragidos de Mato Grosso localizados no Rio de Janeiro têm se tornado mais frequentes ao longo deste ano. Um exemplo citado foi o de Alexsander Monteiro de Almeida, de 22 anos, natural de Várzea Grande, que morreu durante a Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Para o magistrado, a migração desses criminosos acaba fortalecendo o crime organizado em nível nacional, com a troca de experiências e a disseminação de novas práticas criminosas que, mais cedo ou mais tarde, retornam a Mato Grosso.
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