
A Escola Estadual Carlos Hugueney, localizada no centro de Alto Araguaia e com 75 anos de história, será transformada em escola cívico-militar. A decisão foi anunciada pelo Governo de Mato Grosso como resposta ao episódio de extrema violência que chocou o estado: uma aluna de 12 anos foi brutalmente espancada por colegas dentro da unidade escolar. A agressão foi filmada e o vídeo circulou nas redes sociais, causando revolta na população.
Segundo a Polícia Civil, as autoras da agressão integravam um grupo de estudantes inspirado em facções criminosas, com estrutura de comando, regras rígidas e até aplicação de “salves”, punições violentas comuns nesses grupos.
O secretário de Estado de Educação, Allan Porto, confirmou a mudança no modelo de gestão da escola e afirmou que policiais da reserva já estão sendo recrutados para atuar na instituição. “Determinamos que a unidade seja transformada em cívico-militar. Vamos continuar com o acolhimento das famílias, dos estudantes, dos profissionais da educação”, declarou.
Porto relatou ainda que já conversou com a diretora da escola, que apoiou integralmente a decisão. O modelo cívico-militar une a gestão educacional tradicional com a presença de militares que reforçam a disciplina e a organização no ambiente escolar.
Atualmente, Mato Grosso possui 130 escolas com esse modelo de gestão. A rede estadual também conta com cerca de 350 profissionais, entre psicólogos e assistentes sociais, que atuam na mediação de conflitos e na promoção da cultura de paz nas escolas, em parceria com o Ministério Público.
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“Não vamos permitir que nenhuma escola do Estado de Mato Grosso seja palco de qualquer tipo de organização criminosa”, afirmou o secretário.
O caso
O episódio violento aconteceu dentro da Escola Estadual Carlos Hugueney, onde ao menos 20 alunos foram identificados como membros do grupo criado com base em facções criminosas. A agressão à aluna de 12 anos foi praticada por quatro colegas, como forma de punição por ela ter supostamente descumprido uma das regras impostas pelo grupo.
O delegado Marcos Paulo Batista de Oliveira, responsável pela investigação, informou que as adolescentes relataram a existência do grupo após a divulgação do vídeo. “Talvez inspirados por essa ‘bandidolatria’, eles criaram regras, líderes, disciplina… copiando o que ocorre dentro das facções criminosas”, disse.
Segundo o delegado, a vítima foi agredida de forma covarde. Uma das regras impostas pelo grupo, por exemplo, era que durante as agressões não se podia chorar, caso contrário, as punições seriam intensificadas.
Internação
A investigação foi concluída pela Polícia Civil, e a 1ª Vara de Alto Araguaia determinou a internação provisória de três das quatro adolescentes envolvidas diretamente no espancamento. A decisão judicial foi proferida nesta quarta-feira (6). As adolescentes vão cumprir medidas socioeducativas em Cuiabá.
A quarta envolvida, com apenas 11 anos, não poderá ser internada por impedimento legal previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que não permite aplicação de medida socioeducativa com privação de liberdade a menores de 12 anos.
Nortão MT com Gazeta Digital








