
O calendário virou, mas as contas antigas permanecem. O início de 2024 mantém a tradição de pressionar o bolso dos brasileiros, e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) surge como o protagonista dessa tensão. Um levantamento inédito realizado pela Serasa revela um cenário preocupante: 47% dos proprietários de veículos ainda não definiram ou sequer pensaram em como irão quitar o tributo, elevando o risco de inadimplência e endividamento logo nos primeiros meses do ano.
A pesquisa detalha que o IPVA é visto como a despesa mais pesada para quem mantém um carro. Para 38% dos entrevistados, o imposto é o principal “vilão financeiro”, ultrapassando custos rotineiros como manutenção (23%) e combustível (23%).
O impacto é agravado pelo acúmulo de compromissos típicos da sazonalidade — como matrículas, material escolar e parcelas de compras de Natal. O resultado é um índice alarmante de ansiedade econômica: 88% dos motoristas afirmam sentir estresse financeiro neste período.
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Planejamento x Necessidade
Apesar de ser uma despesa previsível e anual, o IPVA ainda pega muitos condutores desprevenidos. Aline Vieira, especialista em educação financeira da Serasa, analisa que a falta de organização retira o poder de negociação do consumidor.
“A falta de planejamento ao longo do ano faz com que o impacto se concentre nos primeiros meses. Quando o consumidor não se organiza, acaba perdendo o poder de escolha e recorre ao parcelamento por necessidade, não por estratégia”, explica a especialista.
Entre os 70% que já decidiram o que fazer, a divisão é clara:
- 43% vão parcelar o valor;
- 30% optaram pelo pagamento à vista (visando descontos ou livrar-se da dívida);
- 27% permanecem indecisos, reflexo direto da insegurança orçamentária.
Histórico de atrasos acende alerta
O risco de não pagamento não é apenas uma hipótese, mas um padrão comportamental para muitos. A pesquisa mostra que 48% dos entrevistados admitem já ter deixado o IPVA vencer em anos anteriores. Desses, um quarto (25%) reincidiu no erro mais de uma vez.
O atraso no pagamento do imposto gera consequências graves, que vão além de multas e juros compostos. A inadimplência impede o licenciamento do veículo, o que pode levar à apreensão do carro e perda de pontos na carteira em caso de fiscalização.
Como evitar o sufoco
Para mitigar os danos ao orçamento, a recomendação dos especialistas é colocar tudo na ponta do lápis antes de escolher a modalidade de pagamento.
“O problema surge quando o consumidor acumula parcelas sem avaliar o impacto no orçamento mensal”, alerta Aline Vieira. A orientação é comparar o desconto oferecido no pagamento à vista com o rendimento de aplicações financeiras ou a folga no fluxo de caixa mensal. Ferramentas digitais de gestão financeira também são indicadas para monitorar prazos e evitar o esquecimento, garantindo que o veículo continue circulando legalmente sem comprometer a saúde financeira da família.
NORTÃO MT








