
Com a previsão de mais um período de seca severa em Mato Grosso, produtores rurais e entidades do setor agrícola intensificam a busca por soluções para garantir a continuidade da produção no campo. A irrigação tem ganhado destaque como uma das principais alternativas para driblar os efeitos da estiagem prolongada que atinge o estado ano após ano.
Em 2024, Mato Grosso registrou 124 dias consecutivos sem chuva — a pior seca em mais de 40 anos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Para 2025, a expectativa também é preocupante: temperaturas acima da média e baixos volumes de chuva.
Diante desse cenário, a Associação dos Produtores de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir) defende a irrigação como estratégia fundamental, especialmente para a agricultura familiar. Segundo o presidente da entidade, Hugo Garcia, áreas irrigadas têm rendimento de 25% a 35% superior mesmo em épocas críticas.
“Nosso estado tem potencial para irrigar entre 8 e 10 milhões de hectares, mas atualmente utilizamos apenas cerca de 230 mil hectares”, destaca Hugo. destaca Hugo.
Gargalos impedem avanço da irrigação
Apesar do potencial, a expansão da irrigação enfrenta entraves como a burocracia para obter outorgas de uso da água, fornecimento irregular de energia elétrica e falta de acesso a crédito para os pequenos produtores.
“São gargalos que precisamos vencer. A irrigação garante não só aumento de produtividade, mas segurança econômica, permitindo até três safras por ano”, afirma o presidente da Aprofir.
Sem irrigação, pequenos agricultores que cultivam hortaliças, frutas e grãos ficam totalmente dependentes da chuva, o que compromete a produção e coloca em risco o sustento de muitas famílias no interior do estado.
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Aprofir atua com projetos e capacitação
A Aprofir tem desenvolvido ações em diversas regiões do estado, com foco na fruticultura irrigada, oferecendo capacitação técnica e tecnologias adaptadas à realidade do pequeno produtor. A entidade também mantém parcerias com instituições como a Universidade Federal de Viçosa, Universidade de Nebraska e o Instituto Mato-Grossense de Agricultura Familiar Irrigada (IMAFIR), em estudos sobre clima, solos e recursos hídricos.
Além do trabalho técnico, a associação tem atuado junto ao poder público em busca de políticas que incentivem o uso da irrigação e facilitem o acesso dos agricultores familiares a essa tecnologia.
“Não se trata apenas de aumentar a produção, mas de garantir a sobrevivência da atividade rural, mesmo diante das mudanças climáticas que estamos vivendo”, conclui Hugo Garcia.







