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sábado, 7, março, 2026

Madeireiras de Sorriso, Sinop, Alta Floresta e outras cidades de MT entram na mira da fiscalização federal após nove mortes em dois anos

ILUSTRATIVA

O setor madeireiro de Mato Grosso será alvo de uma força-tarefa de fiscalização coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a partir de agosto deste ano. A medida foi motivada por um levantamento que aponta nove mortes e mais de 300 afastamentos por acidentes de trabalho registrados entre 2022 e 2024 em empresas do setor em municípios como Sorriso, Sinop, Alta Floresta, Cáceres, entre outros.

A operação, que será conduzida pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso (SRTE-MT), tem como foco o cumprimento da Norma Regulamentadora nº 12 (NR-12), que estabelece critérios de segurança em máquinas e equipamentos. O prazo para adequação das empresas encerra-se neste mês de julho, conforme Termo de Compromisso firmado entre o MTE e o setor madeireiro.

Segundo o auditor-fiscal Marcos Crepaldi, a intenção é romper com a naturalização dos acidentes dentro das indústrias. “Infelizmente, ainda é comum que se aceite como normal trabalhadores sem membros, como dedos ou mãos. Isso precisa mudar”, declarou.

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Alta subnotificação preocupa autoridades

Mesmo sem mortes confirmadas até junho de 2025, os números continuam alarmantes. Ao todo, 58 trabalhadores já foram afastados de suas funções este ano devido a acidentes. A SRTE-MT alerta ainda para uma possível subnotificação dos casos, o que indicaria um cenário ainda mais grave do que o demonstrado pelas estatísticas oficiais.

A fiscalização integra o Procedimento Especial de Fiscalização, uma ação nacional voltada especificamente para o setor de desdobramento de madeira em bruto. O trabalho contará com reforço de novos auditores-fiscais recém-aprovados no concurso público do governo federal.

Mais de 400 empresas notificadas

Em Mato Grosso, cerca de 400 madeireiras já foram notificadas. As exigências do Termo de Compromisso envolvem uma série de adequações, como instalação de sistemas de segurança em zonas de risco, dispositivos de parada de emergência, correção de falhas elétricas, procedimentos operacionais para cada tipo de máquina e fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

O não cumprimento das normas poderá resultar em multas, interdições, além de possíveis encaminhamentos dos casos à Advocacia-Geral da União (AGU) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

Procurado, o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira (CIPEM) informou que mantém diálogo constante com a SRTE-MT e que já apresentou propostas para melhorar a segurança nas empresas, com foco na prevenção de acidentes e no bem-estar dos trabalhadores.

NORTÃO MT

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