A mãe do menino de 4 anos que morreu em um acidente de trânsito na madrugada de domingo (12), em Sorriso, fez um apelo por justiça ao falar pela primeira vez sobre a perda do filho.
Karina também ficou ferida na colisão e precisou ser encaminhada para atendimento médico. Em entrevista ao JK Notícias, ela afirmou que ainda enfrenta dificuldades para falar sobre o ocorrido e que nenhuma reparação será capaz de amenizar a ausência da criança.
“Na verdade, eu só gostaria de justiça. O que ele fez é inadmissível. Eu acho que nenhuma mãe gostaria de enterrar o filho. Eu estou sem chão. Nem o dinheiro do mundo vai trazer meu filho de volta”, declarou.
O acidente aconteceu na Avenida Blumenau. Segundo as informações apuradas, o Fiat Palio ocupado pela família realizava uma manobra para estacionar quando foi atingido na traseira por uma Land Rover.
O menino morreu ainda no local. A mãe e o padrasto da criança foram socorridos e levados para uma unidade de saúde.
Encontro dentro da ambulância
Karina contou que um dos momentos mais marcantes ocorreu durante o socorro. Ao recuperar parte da consciência, ela percebeu que o motorista da Land Rover, identificado pelas iniciais G.D.W., também havia sido colocado na ambulância.
Segundo a mãe, o jovem teria sido retirado do local pela equipe de resgate para evitar possíveis agressões de pessoas que acompanhavam o atendimento.
“O que mais doeu dentro de mim foi que, no momento do ocorrido, quando me socorreram e me colocaram dentro da ambulância para me levar ao hospital, eu vi que ele estava na mesma ambulância que eu. Para mim, foi muito revoltante”, relatou.
Ela afirmou que espera uma resposta firme das autoridades para que outras famílias não passem pela mesma situação.
“Eu só peço por justiça. Justiça pelo meu filho. Porque, se ninguém fizer nada, ele vai fazer isso com outro filho, de outra mãe, de outro pai”, disse.
‘Ele era tudo para mim’
Ao relembrar o filho, Karina descreveu o menino como uma criança alegre, carinhosa e educada.
“Meu filho era um menino doce, alegre e feliz. Ele podia estar doente, mas sempre era uma criança animada e educada. Eu não tenho palavras para falar do meu filho, porque ele era tudo para mim”, afirmou.
A mãe também contou que ainda não conseguiu retornar para casa por não suportar encontrar os objetos e as lembranças da criança.
“Já tem dias que eu não entro na minha casa porque eu não consigo. As coisas dele ainda estão lá, e eu sei que ele não vai voltar. Então eu só quero justiça”, declarou.
Prisão preventiva
O motorista da Land Rover, de 21 anos, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça.
Conforme a decisão, o jovem conduzia o veículo mesmo estando com a Carteira Nacional de Habilitação suspensa desde abril de 2026, em razão de uma infração anterior relacionada à embriaguez ao volante.
A Justiça também considerou os indícios de que o motorista trafegava em alta velocidade e teria consumido bebida alcoólica antes do acidente. Após a colisão, ele se recusou a fazer o teste do bafômetro.
O caso é investigado como homicídio doloso, sob a tese de dolo eventual, pela morte da criança, além de duas tentativas de homicídio contra os demais ocupantes do Palio.
As circunstâncias da colisão continuam sendo apuradas pela Polícia Civil.

