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sexta-feira, 6, março, 2026

Mato Grosso lidera ranking nacional de violência no campo em 2024, aponta relatório da CPT

Mato Grosso registrou em 2024 os números mais elevados de violência no campo do país, de acordo com o Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2024, publicado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). O relatório foi lançado nesta quinta-feira (23), na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), durante evento promovido pelo Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT) e pela CPT Mato Grosso.

Segundo o levantamento, o estado registrou aumento de 137,25% nas ocorrências de conflitos e 518,27% no número de pessoas envolvidas, em comparação com 2023. O crescimento da violência foi registrado em todas as regiões de Mato Grosso, com destaque para o Nordeste (40%), Norte (34,5%), e as regiões Sudeste e Sudoeste, que apresentaram aumento de 150%.

Os principais agentes de violência foram fazendeiros, empresários, garimpeiros e grileiros, com destaque para o aumento de responsabilidade nos conflitos: fazendeiros (60%), empresários (180%) e grileiros (150%). As principais vítimas continuam sendo indígenas, assentados, sem-terra, quilombolas e posseiros, que também sofreram crescimento expressivo na violência: indígenas (200%), assentados (166,6%), sem-terra (83%), quilombolas (50%) e posseiros (20%).

Entre os dados mais alarmantes estão o aumento de 3.004,6% nos incêndios em áreas de conflito e 661,1% na destruição de pertences. Mato Grosso concentrou 25% de todos os incêndios registrados no país e liderou o ranking nacional em desmatamento ilegal (229,4%), ameaças de despejo (223,7%) e invasões (200,3%).

A violência contra povos e comunidades tradicionais cresceu de forma desproporcional:

  • Quilombolas: +1.717,4%
  • Posseiros: +854%
  • Indígenas: +357,7%
  • Assentados: +69%
  • Sem-terra: +48,7%

Os conflitos relacionados à água também se intensificaram, com aumento de 87,5% nas ocorrências e 723,9% nas famílias envolvidas. Foram registradas 250 famílias intoxicadas por agrotóxicos, o 6º maior número do país, e aumento geral de 108,3% nas contaminações.

O relatório evidencia ainda a violência institucional e a criminalização de defensores de direitos humanos, como ocorreu em maio de 2024, quando trabalhadores rurais, um padre da CPT e uma defensora pública foram presos arbitrariamente em Novo Mundo (MT). O episódio chamou atenção nacional e internacional para o uso do aparato estatal contra quem atua na defesa de comunidades vulneráveis.

O Caderno de Conflitos no Campo é publicado pelo Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno (CEDOC/CPT), referência nacional desde 1985 na produção de informações sobre conflitos no campo. A publicação é amplamente utilizada por pesquisadores, movimentos sociais, órgãos públicos e organizações de direitos humanos no Brasil e no exterior.

A CPT completa em 2025 50 anos de atuação, acompanhando comunidades camponesas, indígenas, quilombolas e sem-terra na defesa dos direitos humanos e da justiça social.

NORTÃO MT

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