
Mato Grosso contabilizou 52 casos de feminicídio entre janeiro e dezembro de 2025, segundo dados do Observatório Caliandra, divulgados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O número é o mais elevado desde 2020, quando o estado registrou 62 ocorrências desse tipo de crime.
O levantamento aponta que os principais fatores que motivaram os assassinatos foram términos de relacionamento, ciúmes ligados ao sentimento de posse e o menosprezo pela condição feminina. Entre as vítimas, apenas sete tinham medidas protetivas de urgência em vigor no momento do crime; outras 45 não possuíam qualquer tipo de proteção judicial.
O mês de junho concentrou o maior número de registros, com 10 feminicídios. Sinop foi o município com mais ocorrências no ano, totalizando seis casos. A maioria dos crimes aconteceu dentro da residência das próprias vítimas, reforçando o cenário de violência no ambiente doméstico. Ainda conforme o painel de monitoramento, armas cortantes ou perfurantes foram os meios mais utilizados pelos agressores.
O impacto da violência também se reflete sobre crianças e adolescentes. Em 2025, ao menos 87 ficaram órfãos de mãe em decorrência do feminicídio. No ano anterior, em 2024, o número havia sido de 83, evidenciando a persistência do problema e seus efeitos sobre novas gerações. Em Cuiabá, a prefeitura mantém um benefício mensal destinado a crianças órfãs de mães vítimas de feminicídio, auxiliando em despesas como alimentação e material escolar.
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Entre os casos que marcaram o ano está o da estudante de administração Jacyra Grampola Gonçalves da Silva, de 24 anos, morta a tiros em agosto, enquanto estava em um pesqueiro no bairro Verdes Campos, em Sorriso. O principal suspeito é o ex-namorado da vítima, José Alves dos Santos, de 31 anos, preso um dia após o crime. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele chega ao local, abre uma caixa embrulhada, retira uma arma e dispara contra a jovem.
Os dados divulgados pelo MPMT reforçam o alerta das autoridades e de entidades de defesa dos direitos das mulheres sobre a necessidade de fortalecer políticas públicas de prevenção, proteção às vítimas e combate efetivo à violência de gênero em Mato Grosso.
NORTÃO MT








