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sábado, 7, março, 2026

MT tem déficit recorde de armazenagem e produtores estocam milho a céu aberto

Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, vive um impasse logístico crítico: o Estado não possui estrutura para armazenar nem metade da safra recorde prevista para 2024/25. Segundo estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a produção de milho e soja deve atingir 104,91 milhões de toneladas nesta temporada. No entanto, a capacidade estática de armazenagem é de apenas 52,32 milhões de toneladas, o que representa um déficit de 52,6 milhões de toneladas — ou 49,87% da colheita sem espaço para estocagem.

A defasagem entre produção e infraestrutura se arrasta há mais de uma década e vem se agravando. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Imea indicam que, desde 2010/11, a produção de grãos no Estado cresceu, em média, 9,89% ao ano, enquanto a capacidade de armazenamento avançou apenas 4,25% ao ano.

Na prática, a falta de silos obriga produtores a improvisarem. Em várias regiões, como Peixoto de Azevedo, já se observa grandes volumes de milho armazenados a céu aberto, expostos ao sol e à chuva. Na Fazenda Santa Margarida, por exemplo, o gerente de produção Daniel Batista Hoffmann relatou que, mesmo com planejamento para comercializar 70% da produção antecipadamente, apenas 19% foi retirada até o momento. “Os silos da fazenda estão cheios e tivemos que colocar parte da colheita no chão. É uma realidade que se repete todo ano”, afirmou, em entrevista ao Canal Rural.

A colheita da soja em Mato Grosso já foi concluída, com uma produção de 50,89 milhões de toneladas. O milho, cultivado em 7,13 milhões de hectares, está em fase final de colheita: até o dia 25 de julho, 90,37% da área já havia sido colhida — abaixo da média das últimas cinco safras (93,23%) e do percentual do mesmo período do ano passado (99,28%).

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