
O volume elevado de chuvas registrado nos últimos dias em diversas regiões do país é resultado de uma combinação de fatores atmosféricos, segundo o meteorologista Guilherme Borges, da FieldPRO. O principal deles foi a passagem de uma frente fria pelo litoral do Sudeste no último fim de semana, que acabou permanecendo praticamente estacionada.
De acordo com o especialista, esse sistema passou a canalizar a umidade da região central do Brasil, favorecendo a formação de nuvens carregadas, como as cumulonimbus, e intensificando a instabilidade atmosférica.
“Não podemos dizer que se formou um canal de umidade clássico, mas é uma configuração bastante parecida e que deixa a atmosfera mais úmida. Nesta época do ano, com temperaturas mais elevadas, isso favorece a formação de nuvens de chuva. Em resumo, a frente fria ficou parada, puxou umidade e concentrou as instabilidades, principalmente sobre o Sudeste”, explica.
Embora o verão já seja, historicamente, o período mais chuvoso do ano no Brasil, o meteorologista destaca que a intensidade e a frequência das precipitações estão acima da média em boa parte do Centro-Oeste e Sudeste.
“A atual estação traz naturalmente muita chuva, mas o que estamos observando agora é uma configuração acima da média. A atmosfera está muito úmida, o que favorece volumes mais expressivos e episódios mais frequentes de chuva forte”, completa.

Impactos e previsão para Mato Grosso
No Centro-Oeste, o alerta é especial para o leste de Mato Grosso, onde os acumulados podem ultrapassar 80 milímetros ao longo da semana, com possibilidade de picos próximos de 200 milímetros em um período de sete dias.
A combinação entre calor intenso e alta umidade mantém o estado sob condições favoráveis à formação de temporais, que podem vir acompanhados de rajadas de vento, descargas elétricas e volumes concentrados em curto espaço de tempo.
Além do leste mato-grossense, áreas de Goiás também devem registrar acumulados significativos, reforçando o cenário de instabilidade prolongada na região Centro-Oeste.
Quando a chuva deve diminuir?
A tendência, segundo o meteorologista, é que o padrão chuvoso continue não apenas nos próximos dias, mas também nas próximas semanas, podendo se estender até o fim do verão, em 20 de março.
Uma nova frente fria deve avançar pelo Sul e se deslocar em direção ao Sudeste, aumentando ainda mais a instabilidade e influenciando áreas do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso.
A redução mais consistente das chuvas deve ocorrer apenas no outono, quando a atmosfera começa a apresentar características mais próximas do inverno — período tradicionalmente mais seco, especialmente no Centro-Oeste.
Enquanto isso, a orientação é para que a população fique atenta a alertas meteorológicos, principalmente em áreas com histórico de alagamentos, enxurradas e problemas em estradas rurais, comuns nesta época do ano em Mato Grosso.
NORTÃO MT COM INFORMAÇÕES DO GLOBO RURAL







