28.4 C
Sorriso
domingo, 15, março, 2026

Produção agrícola em alta pode impulsionar geração de bioenergia no Brasil

Tensões recentes em rotas marítimas próximas ao Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, reacenderam o debate internacional sobre segurança energética, impacto nos fretes e possíveis reflexos na inflação e na logística global.

Nesse cenário, o Brasil surge como um caso particular entre as grandes economias. Enquanto o mercado internacional acompanha a volatilidade do petróleo, o país amplia a produção agrícola e, com isso, aumenta a oferta de matérias-primas destinadas à geração de energia renovável. A avaliação é da Fex Agro, rede de revendas de insumos com atuação em Mato Grosso.

De acordo com o CEO da empresa, Daniel Barbosa, o avanço da colheita de grãos amplia o potencial energético do agronegócio brasileiro e abre oportunidades para fortalecer alternativas como os biocombustíveis.

“Em um momento em que o mundo volta a perceber o quanto ainda depende do petróleo, o Brasil reúne uma combinação difícil de replicar: grande produção agrícola, matriz energética renovável consolidada e capacidade industrial para agregar valor dentro da própria cadeia produtiva”, afirma.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam avanço consistente da safra atual, com mais de 50% da área de soja principal cultura agrícola do país já colhida.

Segundo Barbosa, a expansão da produção agrícola amplia a disponibilidade de insumos para diferentes rotas energéticas. “O Brasil não apenas colhe grãos, mas também amplia a oferta de matéria-prima para etanol, biodiesel, biometano e outras alternativas energéticas. Poucos países possuem um programa de biocombustíveis tão estruturado quanto o brasileiro, o que aumenta a resiliência diante de choques externos”, ressalta.

O debate ganha ainda mais relevância em um momento em que o setor de biocombustíveis discute caminhos para acelerar a transição energética. Após a COP30, especialistas apresentaram o documento Mapa do Caminho para a Redução Gradativa da Dependência dos Combustíveis Fósseis, que estabelece etapas de transição até 2040.

Entre as propostas estão a ampliação do uso de etanol, biodiesel, combustível sustentável de aviação (SAF), biometano — produzido a partir de resíduos agropecuários — e o desenvolvimento do hidrogênio de baixa emissão de carbono.

Para a Fex Agro, o atual cenário internacional tende a reforçar a importância desse modelo energético. “Quando petróleo, frete e segurança logística voltam ao centro do debate global, países capazes de produzir energia a partir do próprio campo passam a ter maior relevância econômica. O Brasil já possui essa estrutura e ainda tem espaço para expandi-la”, avalia o executivo.

Barbosa também defende maior reconhecimento internacional da sustentabilidade da produção agrícola brasileira. Segundo ele, a legislação ambiental e os modelos de preservação adotados pelos produtores ainda são pouco conhecidos fora do país.

Entre os pilares dessa transição está o etanol brasileiro. Além da produção tradicional a partir da cana-de-açúcar, cresce o modelo de etanol de milho, que também gera DDG, insumo proteico utilizado na nutrição animal.

“O milho representa bem essa nova lógica das energias renováveis: de uma única matéria-prima surgem energia, proteína e valor industrial. É uma cadeia capaz de atender simultaneamente às demandas globais por energia, alimento e eficiência produtiva”, conclui.

CNN BRASIL COM NORTÃO MT

Matérias relacionadas

- Patrocinadores -

últimas notícias