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sexta-feira, 20, março, 2026

Quase 42% dos alunos abandonam cursos a distância no Brasil

Álvaro Henrique / Secretaria de Educação do DF

A evasão nos cursos de graduação a distância (EAD) atingiu em 2024 o maior nível da série histórica no Brasil. Segundo levantamento do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior), com base em dados do MEC, 41,9% dos alunos da rede privada desistiram dos estudos.

O dado coincide com o momento em que o EAD deixa de ser apenas uma alternativa e se torna o principal modelo de ensino superior do país. Pela primeira vez, o Brasil tem mais estudantes matriculados em cursos a distância do que presenciais. Dos 10,22 milhões de universitários, 5,18 milhões estão no EAD, o equivalente a 50,75% do total, segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).

Na prática, o modelo que mais cresce também é o que mais perde alunos. Considerando todas as redes, a evasão no ensino a distância foi de 41,6%, quase o dobro da registrada nos cursos presenciais, que ficou em 24,8%.

A diferença se repete tanto na rede privada quanto na pública. Enquanto instituições privadas lideram o abandono no EAD, com 41,9%, a taxa nas públicas é de 32,2%. Nos cursos presenciais, a evasão é menor em ambos os casos.

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Segundo analistas ouvidos pela Folha de São Paulo, o problema está mais na permanência do que na entrada. Entre os estudantes que ingressaram em cursos EAD da rede privada em 2020, apenas 23,6% se formaram até 2024, enquanto 68,1% abandonaram o curso antes da conclusão. Mesmo na rede pública, quase metade dos alunos desiste ao longo de quatro anos.

O crescimento acelerado do EAD explica parte do resultado. Desde 2014, o número de ingressantes em cursos presenciais caiu cerca de 30%, enquanto o EAD registrou expansão de até 360% no volume de novos alunos. O modelo se consolidou principalmente por oferecer mensalidades mais baixas e flexibilidade de horários, atraindo estudantes que precisam conciliar trabalho e estudo. Porém, a mesma flexibilidade, sem acompanhamento adequado, favorece o abandono, já que muitos alunos perdem o ritmo devido à menor interação e exigência presencial.

O próprio mercado já sinaliza esgotamento. Entre 2023 e 2024, o crescimento das matrículas no EAD desacelerou para 5,6%, abaixo dos 13,4% registrados no período anterior. Especialistas avaliam que a modalidade pode ter atingido um ponto de saturação, especialmente após absorver estudantes mais velhos que não tiveram acesso ao ensino superior na idade regular.

Além disso, o governo federal passou a impor novas regras para o ensino a distância, limitando a oferta em áreas como saúde e formação de professores, além de restringir cursos totalmente online em determinadas graduações.

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