
A gigante brasileira de energia e bioenergia Raízen protocolou na noite desta quarta-feira um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, com apoio inicial de credores que representam mais de 40% do passivo financeiro, segundo pessoas a par das negociações.
O acordo prevê um standstill de 90 dias, período em que a companhia suspenderá o pagamento de juros e principal da dívida enquanto negocia um plano definitivo de reestruturação com os credores. Durante esse intervalo, a empresa busca reorganizar sua estrutura financeira e preservar caixa para a operação.
A companhia informou que continuará honrando normalmente os pagamentos a fornecedores, preservando a cadeia produtiva em um momento estratégico: o início da safra de cana-de-açúcar, quando a necessidade de capital de giro aumenta significativamente.
A empresa é assessorada no processo pelos escritórios E.Munhoz Advogados, Pinheiro Neto, XGIVS Advogados, TWK Advogados e pela consultoria financeira Rothschild & Co.
No fim de dezembro, a Raízen tinha cerca de R$ 17,3 bilhões em caixa, enquanto aproximadamente metade da dívida está nas mãos de bancos, e a outra metade distribuída entre bondholders, detentores de CRAs e debenturistas.
Reestruturação ocorre em meio a dificuldades financeiras
A recuperação extrajudicial busca criar um ambiente jurídico protegido para negociar as dívidas financeiras sem garantia da companhia e implementar um plano de reestruturação ordenado.
Nos últimos anos, a empresa acumulou um elevado nível de endividamento após fortes investimentos em expansão, clima adverso nas safras e oscilações no mercado de combustíveis e açúcar, o que pressionou os resultados financeiros.
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O processo também ocorre enquanto a gestão conduz um turnaround operacional liderado pelo CEO Nelson Gomes, com foco em melhora de eficiência, revisão de investimentos e fortalecimento da estrutura de capital.
Gigante da bioenergia
Criada em 2010 a partir da união de ativos da brasileira Cosan e da anglo-holandesa Shell, a Raízen se tornou uma das maiores empresas de energia do Brasil e líder global no setor sucroenergético.
A companhia atua de forma integrada em diversos mercados, incluindo:
Produção de etanol de cana-de-açúcar, sendo a maior produtora mundial
Produção e comercialização de açúcar
Bioenergia e cogeração de energia elétrica a partir do bagaço da cana
Etanol de segunda geração (E2G), produzido a partir de resíduos da biomassa
Distribuição de combustíveis, com mais de 7 mil postos sob a marca Shell na América do Sul
Aviação e combustíveis para o setor aéreo
Biogás e biometano
Rede de lojas de conveniência e serviços de mobilidade
Após incorporar os ativos da Biosev, a empresa passou a operar cerca de 35 unidades de produção de açúcar, etanol e bioenergia, com capacidade de moagem de aproximadamente 105 milhões de toneladas de cana por ano e geração de 3 mil megawatts de energia elétrica a partir de biomassa.
Próximos passos
Nos próximos três meses, a Raízen pretende negociar com credores um plano que pode incluir:
extensão de prazos de pagamento
troca de dívida por ações (debt-to-equity)
venda de ativos
possível aporte de capital pelos acionistas
Caso obtenha adesão suficiente dos credores, o plano poderá ser homologado pela Justiça e passar a valer para todos os envolvidos na reestruturação.
Nortão MT com G1








