
A escrivã da Polícia Civil de Mato Grosso, Dayara Carvalho, afirma ter sido uma das vítimas de um suposto golpe financeiro com indícios de pirâmide, ocorrido entre os anos de 2024 e 2025, na cidade de Santa Helena de Goiás. Segundo ela, o esquema teria sido intermediado pelo ex-namorado, o policial penal Jefferson Rodrigo Barros de Souza, com participação da prima dele, Rhanna Barros Martins, e de outra parente, Bernadete Gonçalina de Barros.
O prejuízo, segundo ela, teria sido de mais de R$ 20 milhões. Conforme revelado, os golpistas “prometiam” altos retornos na comercialização de commodities agrícolas (soja e milho) da ordem de 11% ao mês.
Na última terça-feira (10), a juíza da 10ª Vara Cível de Cuiabá, Sinii Savana Bosse Saboia Ribeiro, bloqueou bens e imóveis até o valor de R$ 1,4 milhão do trio e das empresas. Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta segunda-feira (16), Dayara relata que ela e familiares foram convidados a investir em um suposto negócio de comercialização de grãos, envolvendo soja e milho.
A proposta, segundo ela, prometia lucros semanais elevados e atraiu cerca de 50 investidores, entre eles policiais civis, militares e penais. De acordo com a investigadora, o investimento inicial dela foi de R$ 50 mil, valor obtido por meio de empréstimo bancário e transferido diretamente para Rhanna Barros Martins, apontada como proprietária da empresa Barros & Barros, responsável pela operação. “Entrei no negócio com base na relação de confiança que eu tinha com meu então namorado, que garantia que a prima era uma pessoa honesta e incapaz de aplicar qualquer tipo de golpe”, afirmou.
Ela conta que, entre agosto de 2024 e junho de 2025, os lucros prometidos foram pagos regularmente, o que reforçou a credibilidade do negócio e incentivou novos aportes. Ao longo do período, Dayara afirma ter feito novos investimentos, incluindo mais R$ 50 mil provenientes da venda de um imóvel, além de reinvestimentos dos lucros recebidos.
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No entanto, a partir de agosto de 2025, os pagamentos começaram a atrasar e, posteriormente, foram interrompidos. Foi nesse momento que surgiram as suspeitas de que o negócio poderia se tratar de um esquema fraudulento. A investigadora afirma ainda que, após os problemas, tomou conhecimento de que a principal responsável pelo negócio já teria aplicado um golpe anterior contra a própria mãe, sustentando uma falsa história sobre formação em Direito para obter dinheiro.
Além disso, segundo o relato, a empresa alegava possuir contratos com multinacionais do setor agrícola, como Cargill e Bunge, o que posteriormente teria se mostrado falso. “Descobrimos que os documentos eram falsificados e que não havia qualquer lastro de grãos em nome da empresa ou da responsável”, disse.
Uma auditoria chegou a ser apresentada aos investidores, indicando que a empresa estaria regular e operando normalmente. Contudo, posteriormente, verificações realizadas por policiais apontaram que não existiam contratos nem ativos que sustentassem a atividade. A suspeita principal é de que o esquema tenha operado no modelo de pirâmide financeira, utilizando recursos de novos investidores para pagar lucros iniciais aos participantes anteriores.
CRÍTICAS À PC DE GOIÁS
Dayara também criticou a condução inicial das investigações por parte da Polícia Civil de Goiás, alegando inércia. Segundo ela, vítimas não foram orientadas adequadamente, nem houve coleta formal de depoimentos ou avanço nas apurações. Ela relata que apenas após a atuação da Delegacia do Consumidor de Mato Grosso houve movimentação por parte das autoridades goianas.
“E a Delegacia nem sequer fez nenhuma orientação, tanto pra nós, vítimas aqui do Mato Grosso, como as vítimas lá mesmo de Goiás, que foram muitas também. E não disseram pra elas se precisavam de um termo de representação criminal, nem sequer ouviram os familiares da Rhanna, nem sequer marcaram uma data para colher o termo de declaração das vítimas. Simplesmente ficaram inertes durante a situação. A minha revolta só foi aumentando. Em janeiro eu mandei mensagem e e-mail pra essa delegacia. Não fizeram questão de me responder”, criticou.
O paradeiro de Rhanna Barros Martins é desconhecido desde novembro de 2025, quando, segundo as vítimas, ela teria desaparecido sem deixar rastros em uma viagem para Portugal. “Não sabemos pra onde foi esse dinheiro, com quem está, se a Rhanna ainda tem esse dinheiro, está usufruindo e gastando lá na Europa. Não sabemos. O que ficou foi o prejuízo para os investidores e, pra alguns, a felicidade de ter construído patrimônio em cima de dinheiro de vítimas de um suposto crime de pirâmide financeira”, desabafou.
FOLHA MAX











