
O primeiro-tenente da Polícia Militar, Rennan Albuquerque de Melo, 34 anos, foi preso na manhã deste sábado (27.12) pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), após ser acusado de tentar matar um motorista de aplicativo durante uma briga de trânsito em Cuiabá. O suspeito foi detido em um condomínio no bairro Ribeirão da Ponte, em Cuiabá, em uma ação conjunta com a Corregedoria da Polícia Militar e a Força Tática.
Durante coletiva de imprensa, o delegado Caio Albuquerque, da DHPP, explicou em detalhes a dinâmica do crime e como as investigações desmascararam a versão inicial apresentada pelo tenente.
“Ficou completamente desconstruída a versão de que o veículo havia sido furtado. As imagens são muito claras e demonstram que o carro estava sendo conduzido pelo próprio proprietário”, afirmou o delegado.
O crime
O caso começou com uma briga de trânsito no bairro Goiabeiras, em Cuiabá, onde o veículo conduzido por Rennan, um VW Jetta, colidiu diversas vezes contra a traseira de um carro de um motorista de aplicativo. Mesmo após as colisões, o motorista do Uber seguiu em frente e parou logo à frente do shopping, na tentativa de entender o motivo das batidas. Nesse momento, Rennan ultrapassou o carro de aplicativo, engatou marcha a ré e colidiu novamente contra o veículo, repetindo a manobra por várias vezes.
Toda a situação foi registrada em vídeo pelo próprio motorista de aplicativo, que filmou as colisões. Em seguida, os dois veículos seguiram para o bairro Duque de Caxias, onde o Jetta parou e, segundo a vítima, o motorista desceu do carro e efetuou disparos contra o veículo da vítima.
A perícia confirmou várias perfurações no para-brisa, laterais e parte traseira do automóvel, além de vestígios balísticos. “Por poucos centímetros, os disparos não atingiram áreas vitais, o que evitou uma tragédia”, destacou o delegado.
Mesmo ferido, o motorista conseguiu fugir e, durante a tentativa de evasão, novos disparos atingiram a parte traseira do veículo. Ele seguiu até o antigo Pronto-Socorro de Cuiabá, onde foi socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC).
A farsa do furto
Inicialmente, foi registrada a informação de que o Jetta utilizado no crime teria sido furtado horas antes na região do Duque de Caxias. No entanto, as investigações desmontaram essa versão. Câmeras com sistema de leitura automática de placas (OCR) registraram a entrada do veículo em um posto de combustíveis cerca de uma hora após os disparos. As imagens mostraram claramente que quem conduzia o carro era o próprio Rennan, e não um ladrão, como havia sido alegado.
A Polícia Civil então passou a enquadrar o caso como tentativa de homicídio qualificado, comunicação falsa de crime, falsidade ideológica e possível adulteração de sinal identificador de veículo automotor. A investigação revelou que houve mais de uma comunicação falsa de furto, inclusive após a suposta localização do veículo, quando foi informado que o carro estaria sem placas.
Prisão e investigação
Dada a gravidade do caso, a DHPP solicitou a prisão temporária de Rennan, cumprida pela Justiça. O tenente foi detido na manhã deste sábado (27), em um condomínio no bairro Ribeirão da Ponte, e, após ser preso, optou por permanecer em silêncio durante o depoimento.
O delegado Caio Albuquerque confirmou que a vítima reconheceu o policial como autor dos disparos, tanto pelas imagens da conveniência quanto em depoimentos prestados durante a investigação. A arma utilizada foi de calibre .380 e, segundo a Polícia Civil, não se trata de armamento institucional.
Além de Rennan, sua esposa também é investigada, pois o veículo estava registrado em nome dela e foi ela quem realizou as comunicações de furto. Mandados de busca domiciliar foram cumpridos, e novas diligências devem ser feitas, inclusive para esclarecer todos os detalhes envolvendo o posto de combustíveis onde o carro foi flagrado pelas câmeras.
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Repercussão e impacto
Em relação ao impacto do caso para a corporação, o delegado Caio Albuquerque destacou a atuação integrada das forças de segurança. “As instituições conversam, e esse caso é prova disso. Tivemos todo o apoio da Polícia Militar, da Corregedoria e do Comando Regional. Agora, a responsabilização criminal segue no âmbito do inquérito policial”, concluiu.
As investigações continuam para esclarecer se outras pessoas participaram das falsas comunicações e para concluir a dinâmica completa dos fatos.
Outro lado
NOTA
A Polícia Militar de Mato Grosso informa que a Corregedoria-Geral acompanhou a prisão de um tenente suspeito de tentativa de homicídio, na manhã deste sábado (27), em Cuiabá. A Corregedoria abriu procedimento administrativo para apurar o caso e o militar ficará custodiado no Batalhão Rotam.
A PM informa ainda que o tenente já responde a procedimento anterior, estando submetido ao Conselho de Justificação, afastado de suas funções e com porte de arma suspenso, desde janeiro de 2025.
A corporação ressalta que não coaduna com nenhum tipo de crime ou atividade ilícita por parte de seus integrantes.
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