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quarta-feira, 17, junho, 2026

Presença de araras cresce em Sorriso e transforma ave em símbolo da cidade

FOTO: Ney Douglas

Quem vive em Sorriso dificilmente passa um dia sem ouvir o som característico das araras cruzando o céu da cidade. Seja no início da manhã ou no fim da tarde, é comum observar casais e bandos sobrevoando avenidas, praças, bairros e áreas verdes urbanas, em uma cena que já faz parte da rotina dos moradores.

A presença constante dessas aves não é por acaso. Especialistas apontam que Sorriso reúne uma combinação de fatores ambientais que favorecem a permanência e a reprodução das araras, transformando o município em um dos principais refúgios urbanos da espécie em Mato Grosso.

A mais comum delas é a arara-canindé (Ara ararauna), facilmente reconhecida pela plumagem azul e amarela. A espécie encontra na cidade condições ideais para viver, graças à abundância de alimento, à presença de árvores adequadas para nidificação e ao clima favorável durante praticamente todo o ano.

Além de sua importância ecológica, a ave vem ganhando espaço também na identidade cultural do município. Propostas discutidas nos últimos anos defendem a oficialização da arara-canindé como símbolo de Sorriso, reconhecendo sua relevância para a biodiversidade local e seu potencial turístico.

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FOTO: Ney Douglas

Cidade virou habitat para as araras

De acordo com Reinaldo Nunes, fiscal de Uso do Solo e Meio Ambiente da Prefeitura de Sorriso, a adaptação das aves ao ambiente urbano é resultado de um processo que ocorreu ao longo dos anos.

“Atualmente, as principais espécies que se reproduzem na área urbana de Sorriso são a arara-canindé, o papagaio-verdadeiro e a maracanã-pequena. Essas aves passaram a fazer parte da identidade ambiental do município e demonstram uma grande capacidade de adaptação às transformações provocadas pela urbanização”, explica.

Segundo ele, as palmeiras espalhadas pela cidade desempenham papel fundamental para a reprodução das aves, funcionando como locais de abrigo e nidificação.

Além disso, a oferta constante de frutos e sementes encontrados em jardins, áreas verdes e propriedades particulares contribui para que as araras encontrem alimento durante todo o ano sem a necessidade de percorrer grandes distâncias.

FOTO: Ney Douglas

Entre o Cerrado e a Amazônia

Outro fator que favorece a presença das araras está na localização geográfica de Sorriso.

O município está situado em uma região de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado, dois ambientes naturalmente ocupados pela arara-canindé. Essa condição oferece uma diversidade de recursos naturais que facilita a sobrevivência da espécie.

O clima predominantemente quente também contribui para o sucesso reprodutivo das aves, que encontram condições adequadas para formação de casais, reprodução e criação dos filhotes.

FOTO: Ney Douglas

Símbolo da biodiversidade e potencial turístico

Para especialistas, a presença das araras vai muito além da beleza cênica. As aves representam um importante indicador da qualidade ambiental do município.

A possibilidade de transformar a arara-canindé em símbolo oficial de Sorriso também é vista como uma forma de fortalecer o sentimento de pertencimento da população e ampliar a conscientização sobre a preservação ambiental.

Além disso, a observação de aves vem crescendo em diversas regiões do Brasil e pode se tornar um importante atrativo turístico para o município, atraindo pesquisadores, fotógrafos de natureza e visitantes interessados em ecoturismo.

Com suas cores vibrantes e comportamento social marcante, a espécie já é considerada por muitos moradores um dos cartões-postais naturais da cidade.

Como a população pode ajudar na conservação

Apesar da boa adaptação ao ambiente urbano, as araras continuam sendo animais silvestres e dependem da colaboração da população para permanecerem protegidas.

Segundo Reinaldo Nunes, a recomendação é admirar as aves à distância, respeitar os ninhos e preservar as árvores utilizadas durante o período reprodutivo.

“As pessoas devem evitar qualquer perturbação nos ninhos e acionar os órgãos ambientais caso encontrem filhotes feridos ou em situação de risco”, orienta.

O fiscal também alerta para a proibição da captura e criação doméstica dessas aves.

“Ter uma arara, papagaio ou qualquer outro animal silvestre nativo em casa sem autorização dos órgãos ambientais é ilegal e pode gerar multas, apreensão do animal e responsabilização criminal”, destaca.

Mesmo quando a intenção é ajudar um filhote encontrado no chão, especialistas alertam que mantê-lo em casa prejudica seu desenvolvimento natural e reduz suas chances de retornar à natureza.

Nesses casos, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros ou a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente para que o resgate seja realizado de forma adequada.

“A melhor forma de proteger esses animais é permitir que permaneçam livres na natureza, mesmo quando essa natureza passou a fazer parte do ambiente urbano”, conclui Reinaldo.

Enquanto continuam colorindo os céus de Sorriso com seus voos e vocalizações inconfundíveis, as araras-canindé seguem como um dos maiores símbolos da relação entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental no município.

NORTÃO MT

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