
O que começou como um convite de amigos se transformou em uma jornada carregada de significado para o casal Victoria Dalla Vecchia Martini e Lucas Martini, moradores de Sorriso, no norte de Mato Grosso. Eles embarcaram em uma expedição de carro pela Argentina com destino a Ushuaia, cidade considerada a mais austral do planeta.
A viagem, no entanto, vai muito além do turismo. Para Victoria, cada quilômetro percorrido representa uma oportunidade de conhecer paisagens e criar memórias enquanto ainda pode enxergá-las.
Em 2020, ela recebeu o diagnóstico de retinose pigmentar, uma doença genética que provoca a degeneração progressiva da retina e a perda gradual da visão. Desde então, passou a acompanhar pesquisas e estudos clínicos em busca de tratamentos que possam frear o avanço da condição.

“Quando descobri a doença, entrei em depressão. Foi um período muito difícil. Depois consegui me recuperar, mas este ano recebi outras notícias que me abalaram novamente. Fiquei de fora dos testes clínicos que aguardava e descobri que uma outra condição que afeta minha visão central havia avançado”, relata.
Segundo Victoria, a progressão da doença despertou ainda mais o desejo de viajar.
“Quero conhecer o mundo enquanto ainda é tempo. Quero guardar paisagens, experiências e lembranças enquanto ainda consigo vê-las com meus próprios olhos”, afirma.
Decisão tomada em duas semanas
A ideia da viagem surgiu após um convite dos amigos Maiton e Luana, que já haviam percorrido parte da rota anteriormente e planejavam retornar à Argentina para seguir até Ushuaia.
Apaixonados por viagens de carro, Victoria e Lucas decidiram aceitar o desafio. Em apenas duas semanas, organizaram toda a expedição.

Antes da partida, o casal pesquisou as exigências para dirigir em território argentino, providenciou documentos, seguros obrigatórios e equipamentos de segurança. Também realizou a revisão completa do veículo e preparou a estrutura necessária para enfrentar longos trechos de estrada.
“Estamos planejando cada dia na noite anterior. Como estamos viajando em baixa temporada, está sendo relativamente fácil encontrar hospedagem conforme chegamos aos destinos”, conta.

Entre neve, paisagens e desafios
Até o momento, a viagem tem sido marcada por descobertas e belas paisagens. O principal contratempo ocorreu durante uma tentativa de chegar a uma lagoa em uma estrada coberta de neve.
“A estrada estava muito ruim e nosso carro começou a patinar. Nossos amigos estavam em um veículo 4×4, mas decidimos voltar. No fim, a situação virou motivo de risadas”, relembra.
Agora, a expectativa está voltada para um dos trechos mais desafiadores da jornada: os chamados “76 Malditos”, na Ruta 40. O percurso é conhecido pelas condições difíceis de tráfego, com longos quilômetros de rípio, curvas, desníveis e ausência de estrutura de apoio.
“É uma parte que exige bastante atenção e respeito. Estamos apreensivos, mas preparados”, diz.
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Sonhos que movem a viagem
Entre os momentos mais aguardados da aventura está o passeio pelo Canal Beagle, famoso pela presença de leões-marinhos e pela rica fauna marinha da região.
Victoria também espera realizar um sonho antigo.
“Gostaria muito de ver baleias. É algo que sempre sonhei. Também quero conhecer as geleiras e ver a neve cair.”
Um post compartilhado por Victoria B. Dalla Vecchia Martini (@victoriabdv)
Amor demonstrado na estrada
Após chegar ao extremo sul da América do Sul, o casal pretende retornar ao Brasil por uma rota mais rápida. A saudade da rotina, do trabalho e das duas cachorras que ficaram em casa já começa a aparecer.
Victoria, que recentemente iniciou sua trajetória profissional como filmmaker, pretende continuar trabalhando com produção audiovisual após o retorno.
Ao falar sobre a viagem, ela faz questão de destacar o papel do marido durante todo o processo.
“Queria agradecer ao Lucas por sempre me apoiar. Ele não é uma pessoa de demonstrar muito com palavras, mas está sempre ao meu lado. Hoje ele está dirigindo milhares de quilômetros por mim e encarando toda essa jornada comigo.”
Para ela, o amor se manifesta justamente nesses gestos.
“É assim que eu sinto o amor dele: nas atitudes, no cuidado, na parceria e na forma como escolhe caminhar comigo, mesmo nos momentos mais difíceis.”
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