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quinta-feira, 5, março, 2026

Tarifa de 50% imposta por Trump ao Brasil acende alerta no agronegócio de Mato Grosso

Exportações de carne bovina e cadeia produtiva do agro mato-grossense estão entre os setores mais afetados pela nova política comercial dos EUA. Produtores buscam alternativas para evitar colapso no setor.

O anúncio do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados ao país a partir de 1º de agosto de 2025 provocou reações imediatas no agronegócio de Mato Grosso. Como principal exportador de carne bovina e grãos do Brasil, o estado se vê diante de um cenário de incertezas, impactos econômicos e busca urgente por alternativas.

A justificativa oficial para a medida, segundo a Casa Branca, seria uma retaliação à condução política e judicial do Brasil em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro e às supostas barreiras comerciais brasileiras. No entanto, especialistas apontam que o impacto direto será sentido no campo, nas indústrias e nos portos brasileiros, especialmente em estados produtores como Mato Grosso.

Carne bovina na linha de frente

Com um rebanho superior a 33 milhões de cabeças, Mato Grosso é líder nacional em produção de carne bovina. Só nos cinco primeiros meses de 2025, o estado exportou mais de 26 mil toneladas de carne industrializada para os Estados Unidos, gerando cerca de US$ 102 milhões em receita.

Com a nova tarifa, o custo da tonelada pode ultrapassar os US$ 8,6 mil, tornando o produto mato-grossense praticamente inviável no mercado americano. Grandes frigoríficos e cooperativas já começaram a suspender remessas, enquanto entidades representativas, como a Acrimat e a Famato, pedem uma resposta firme do governo federal.

“É um golpe direto na nossa competitividade. A tarifa nos retira do mercado e abre espaço para concorrentes como Austrália e Nova Zelândia”, afirmou o presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira.

Efeito dominó na cadeia agroindustrial

Além da carne, a medida impacta indiretamente outros pilares do agro. A soja e o milho, usados como base na alimentação animal, também devem sofrer com a queda na demanda interna. A Aprosoja-MT já projeta reflexos no custo de produção, repasses de preços ao consumidor e possíveis pressões inflacionárias.

A cadeia logística também será atingida. A importação de máquinas agrícolas, peças, combustíveis e fertilizantes dos EUA pode ficar mais cara, dificultando a modernização no campo e encarecendo a produção.

“Essa taxação não atinge apenas as exportações, mas também toda a base de insumos. Vai desde o diesel até chips para maquinário”, disse Lucas Beber, presidente da Aprosoja-MT.

Exportações ameaçadas e empregos em risco

Com a taxação, as exportações para os EUA — que respondem por cerca de 7% das vendas externas do agro brasileiro — podem sofrer retração severa. Isso coloca em risco milhares de empregos gerados pela cadeia produtiva do agro mato-grossense, sobretudo nos municípios do interior, altamente dependentes da agroindústria.

O impacto é ainda mais preocupante para as pequenas e médias agroindústrias, que têm menor flexibilidade para redirecionar seus produtos a outros mercados e absorver aumentos de custo.

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Diplomacia e diversificação: as saídas possíveis

Entidades como Famato, Fiemt, Acrimat e Aprosoja vêm pressionando o Itamaraty para uma ação diplomática urgente. Paralelamente, buscam a diversificação dos mercados com foco em países da Ásia, União Europeia e Oriente Médio, além de rotas logísticas mais eficientes, como o corredor da BR-163 até o Porto de Santarém (PA).

“É hora de rever a dependência de determinados mercados e ampliar acordos bilaterais que fortaleçam nossa presença global”, defende a Famato em nota oficial.

Cenário desafiador à frente

Especialistas apontam para uma possível recessão no setor, com queda nas exportações, aumento nos custos, inflação no campo e possíveis repercussões nos juros do crédito rural, caso o Banco Central reaja à pressão inflacionária.

O futuro do agro mato-grossense, portanto, dependerá da rapidez na resposta política e da capacidade de adaptação da cadeia produtiva. A missão agora é evitar que o “coração do agronegócio brasileiro” entre em colapso.

Nortão MT Agro

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