
Inaugurado com pompa na noite da última quarta-feira (30), o Mercado do Bem, projeto idealizado pela Prefeitura de Nova Mutum em parceria com a Secretaria de Cidadania e Assistência Social, nasceu como símbolo de compromisso com a inclusão social e a dignidade humana. No entanto, apesar do discurso emotivo e das boas intenções, a iniciativa levanta uma série de questionamentos em relação à sua viabilidade, impacto real e uso estratégico de recursos públicos.
Com investimento superior a R$ 3,2 milhões e uma estrutura física de 1.500 m², o Mercado do Bem tem como proposta atender famílias em situação temporária de vulnerabilidade, oferecendo gratuitamente itens de alimentação e vestuário. A estrutura foi planejada com base em demandas levantadas por CRAS e CREAS, e tem como missão fortalecer vínculos comunitários e o acesso a políticas públicas.
Durante a solenidade, a secretária Aline Félix destacou que o local será “um espaço de acolhimento, inclusão e dignidade”. Contudo, nem todos os olhares sobre o projeto compartilham do mesmo entusiasmo.
Alto custo e impacto limitado
O primeiro ponto de crítica é o custo elevado da obra. Em tempos de contenção de despesas, a aplicação de mais de três milhões de reais em um único projeto social levanta dúvidas sobre priorização orçamentária. Especialistas em gestão pública apontam que tais valores poderiam ser redistribuídos em ações de maior alcance, como capacitação profissional, geração de emprego ou fortalecimento da saúde e educação básica.
Assistencialismo ou inclusão produtiva?
Outro ponto debatido é a natureza assistencialista do projeto. Embora atender famílias em dificuldade seja importante, o Mercado do Bem não garante soluções permanentes. Para críticos, a iniciativa foca no alívio imediato, mas não rompe o ciclo da vulnerabilidade, podendo inclusive criar dependência contínua do poder público, sem estímulo à autonomia financeira das famílias.
Desafios na sustentabilidade e na gestão
Com uma estrutura robusta, o Mercado do Bem exige custos recorrentes de manutenção, reposição de itens, logística e pessoal. O receio é que, sem fonte contínua de recursos e planejamento a longo prazo, o projeto se torne insustentável ou sofra com sucateamento.
Além disso, pairam dúvidas sobre a fiscalização e critérios de acesso. Quem terá direito aos benefícios? Como será feita a triagem? A falta de respostas claras pode abrir margem para irregularidades, fraudes ou uso político-eleitoreiro do projeto, especialmente em períodos sensíveis como o atual.
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Pequenos comerciantes em alerta
No comércio local, também há inquietação. Empresários do setor de alimentos e vestuário temem que o Mercado do Bem atue como concorrência desleal, afetando suas vendas, já que atende justamente o público de baixa renda que compõe boa parte do mercado consumidor de pequenos estabelecimentos.
Combate às consequências, não às causas
Por fim, é importante destacar que o projeto atua sobre os efeitos da vulnerabilidade, mas pouco ou nada faz para enfrentar suas raízes estruturais, como falta de emprego, moradia, qualificação e políticas de geração de renda.
Entre o símbolo e a realidade
O Mercado do Bem chega à população como um gesto simbólico de solidariedade e cuidado social. Mas, à medida que os holofotes da inauguração se apagam, surgem perguntas fundamentais: vale o investimento? A quem realmente serve? Qual será seu legado nos próximos anos?
Enquanto isso, a sociedade observa, avalia e espera que o projeto não se transforme em mais uma vitrine política com data de validade.
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