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sexta-feira, 6, março, 2026

TAO Engenharia se pronuncia após resgate de mais de 500 trabalhadores em condições análogas à escravidão em obra no norte de MT

A TAO Engenharia se manifestou nesta quinta-feira (07) sobre a operação conjunta realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Polícia Federal (PF), que resgatou 563 trabalhadores em condições análogas à escravidão no canteiro de obras da empresa em Porto Alegre do Norte, a 1.125 km de Cuiabá.

A ação foi deflagrada após um grupo de trabalhadores incendiar parte do alojamento, no dia 20 de julho, em protesto contra as más condições de trabalho. Segundo o MPT-MT, os operários — a maioria oriundos do Maranhão, Piauí e Pará — relataram situações de extrema precariedade, incluindo alojamentos superaquecidos, colchões de má qualidade, ausência de travesseiros e roupas de cama, além de superlotação nos quartos.

Durante as audiências administrativas realizadas entre 30 de julho e 5 de agosto, trabalhadores e representantes da empresa foram ouvidos. De acordo com o MPT, os depoimentos confirmaram violações às normas de segurança, saúde e direitos trabalhistas.

Pronunciamento da empresa

Em nota oficial, a TAO Construtora afirmou que está colaborando integralmente com as investigações desde o início da operação e destacou que não há, até o momento, autuação formal contra a empresa. A construtora atribuiu o incêndio a um “grupo isolado de trabalhadores” e garantiu que tem fornecido acesso irrestrito às instalações e documentos solicitados pelas autoridades.

A empresa também informou que firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com caráter emergencial e reparatório, sem confissão de culpa, como forma de assegurar suporte aos trabalhadores afetados e demonstrar comprometimento com a transparência.

“A TAO reforça seu compromisso histórico com práticas trabalhistas éticas, respeito à legislação e aos direitos dos trabalhadores”, diz a nota. A construtora também ressaltou que vários colaboradores teriam manifestado interesse em retornar ao trabalho, o que, segundo a empresa, demonstra a “relação de confiança construída no canteiro de obras”.

Por fim, a empresa repudiou “veementemente qualquer prática análoga à escravidão ou tráfico de pessoas” e declarou que seguirá colaborando com as investigações, confiando no esclarecimento dos fatos por meio do devido processo legal.

As apurações continuam sob responsabilidade do MPT, MTE e Polícia Federal.

NORTÃO MT

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