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sexta-feira, 6, março, 2026

Empresários ligados ao caso Banco Master são soltos em São Paulo

Os empresários André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto, apontados como diretores de uma suposta empresa de fachada envolvida no esquema investigado no caso Banco Master, foram soltos na madrugada desta quinta-feira (23) em São Paulo. Ambos haviam sido presos temporariamente durante a Operação Compliance Zero, que também levou à prisão do controlador do banco, Daniel Vorcaro, nesta semana.

Como foi a liberação

Maia e Peretto estavam detidos na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, na capital paulista. A prisão deles era temporária, com validade de três dias. Segundo o advogado Luiz Felipe Mallmann de Magalhães, defensor de André Maia, ambos foram liberados por volta da meia-noite e retornaram diretamente para suas residências em São Paulo.

“Estamos nos inteirando do processo e totalmente à disposição para esclarecer a Justiça”, afirmou o advogado.

A Polícia Federal havia solicitado que os presos fossem transferidos para o sistema penitenciário estadual por não ter estrutura para manter detentos preventivamente, sem prazo definido. No entanto, a decisão ficou nas mãos da Justiça do Distrito Federal. O juiz federal Ricardo Leite determinou que eles permanecessem na Superintendência da PF por três dias, prazo que se encerrou à meia-noite.

Entenda o caso: Tirreno e Cartos no centro das suspeitas

A investigação aponta que os empresários têm ligação com duas empresas suspeitas: Cartos Sociedade de Crédito Direto e Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito, esta última considerada pela PF uma empresa de fachada.

Até o ano passado, Maia era diretor e Peretto é acionista da Cartos, que, segundo o processo, teria criado a Tirreno. Criada em novembro de 2023, a Tirreno teria sido usada pelo Banco Master para negociar R$ 12,2 bilhões em créditos de dívidas consideradas inexistentes, posteriormente revendidos ao BRB (Banco de Brasília).

O Ministério Público Federal afirma que o Master adquiriu esses créditos da Tirreno sem realizar qualquer pagamento, e mesmo assim repassou os valores ao BRB, que teria pago imediatamente, R$ 6,7 bilhões pelas carteiras e R$ 5,5 bilhões em prêmio.

A transação chamou atenção por ser uma revenda sem coobrigação, ou seja: se o devedor original não pagasse, o prejuízo ficaria apenas para o BRB, sem responsabilização do Master.

Os investigadores apontam que a operação financeira ocorreu de forma simultânea ao anúncio da venda do Banco Master, supostamente para evitar sua quebra antes da análise do Banco Central.

MPF aponta conluio entre Master e BRB

Para o MPF, há indícios claros de gestão fraudulenta entre diretores do Master e dirigentes do BRB. A investigação relata que a Tirreno teria servido como blindagem para atividades da Cartos, que seria a verdadeira originadora dos créditos repassados ao Master e, depois, ao BRB.

O BRB confirmou que todos os créditos intermediados pela Tirreno foram celebrados por correspondentes bancário ligados à Cartos. Um acordo operacional entre as empresas, firmado em janeiro, é citado como prova dessa relação, um documento sem autenticação ou assinatura eletrônica.

O que dizem os envolvidos

Cartos: A empresa afirma que não é alvo da investigação e nega qualquer irregularidade ou relação operacional com o Banco Master. Diz atuar dentro das normas do Banco Central e estar colaborando com as autoridades.

BRB: O banco afirma que a compra dos créditos seguiu seus procedimentos internos e que, ao identificar inconsistências na documentação fornecida pelo Master, comunicou imediatamente o Banco Central, que passou a acompanhar o caso.

Quem permanece preso

Cinco investigados continuam detidos, todos em prisão preventiva, sem prazo para soltura:
• Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master;
• Luiz Antônio Bull, diretor de riscos, compliance, RH, operações e tecnologia;
• Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente-executivo de Tesouraria;
• Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Master;
• Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, diretor do banco, que chegou a ficar foragido, mas se entregou às autoridades.

Pedidos de habeas corpus já foram apresentados pela defesa de alguns dos detidos, incluindo Vorcaro e Bull.

A Operação Compliance Zero segue em andamento, e novas medidas judiciais podem ser adotadas nos próximos dias.

Nortão MT com Uol

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