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sexta-feira, 6, março, 2026

Nortão de MT pode sentir primeiros efeitos da crise nacional de falta de caminhoneiros; risco de colapso logístico preocupa setor

Mayke Toscano/Secom-MT/Divulgação

O Brasil vive um alerta crescente no setor de transportes: a falta de caminhoneiros qualificados ameaça provocar um colapso na cadeia logística. O impacto desse cenário pode ser ainda mais sentido no Nortão de Mato Grosso, região estratégica para o escoamento da produção agrícola e industrial, onde municípios como Sorriso e Sinop dependem diretamente da fluidez no transporte rodoviário.

Hoje, 65% de todas as cargas do país percorrem rodovias. Porém, o número de brasileiros habilitados para conduzir caminhões despencou 62,89% na última década, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito. Outro dado que acende o sinal vermelho: apenas 4% dos motoristas têm menos de 30 anos. A categoria envelhece, e a renovação quase não acontece.

O problema já aparece no dia a dia das empresas. Um levantamento do setor aponta que 93% das transportadoras enfrentam dificuldades para contratar novos motoristas. A avaliação de especialistas é clara: a crise envolve dois desafios manter os profissionais experientes e qualificar os jovens que ainda demonstram interesse pela profissão.

“Tem bastante gente procurando vaga de motorista rodoviário, porém muitos ainda não estão qualificados. Isso é preocupante, porque já existe falta de profissionais no mercado, e todas as empresas de transporte hoje buscam motoristas capacitados”, afirma Eduardo Rebuzzi.

Secom – MT

Risco direto para Sorriso, Sinop e toda a rota de escoamento do agro

No Nortão, onde municípios lideram rankings nacionais de produção agrícola, a preocupação é ainda maior. Sorriso considerado a capital do agronegócio brasileiro e Sinop importante polo industrial, comercial e de transporte dependem fortemente do fluxo constante de caminhões para escoar soja, milho, algodão, carnes e insumos.

Com grandes transportadoras instaladas na região, a escassez de motoristas ameaça impactar desde a colheita até a chegada dos produtos aos portos e indústrias. Qualquer gargalo no setor pode gerar atrasos, aumento de custos e dificuldade para manter a competitividade do agronegócio mato-grossense.

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Condições duras afastam novos profissionais

Entre os fatores que explicam a falta de renovação da categoria estão:

  • Infraestrutura rodoviária defasada
  • Longas jornadas de trabalho
  • Risco constante de assaltos
  • Baixa remuneração em muitos trechos

Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos aponta que 68% dos caminhoneiros afirmam que o piso mínimo do frete nunca ou raramente é cumprido — uma realidade que desestimula a entrada de novos profissionais no mercado.

Transportadoras tentam reagir

Para conter a crise, empresas do setor investem em qualificação, programas de formação e benefícios para tentar manter seus quadros. No entanto, especialistas alertam que, sem uma política nacional voltada à valorização do caminhoneiro, o país poderá enfrentar uma crise profunda no abastecimento.

NORTÃO MT

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