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quinta-feira, 23, abril, 2026

25 trabalhadores são resgatados em condições análogas à escravidão em fazenda no Nortão

Ao menos 25 trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão em uma fazenda localizada no município de Peixoto de Azevedo. A ação foi realizada por equipes da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-MT) entre os dias 26 e 28, com apoio de forças de segurança, e o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

De acordo com a fiscalização, foram identificadas diversas violações graves de direitos trabalhistas, incluindo cerceamento de liberdade, servidão por dívida e condições degradantes tanto de trabalho quanto de moradia. A propriedade, voltada à criação de gado, está situada em uma área de difícil acesso, com aproximadamente 100 quilômetros de estrada de chão em condições precárias.

Os trabalhadores resgatados são naturais de estados como Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará, além de Mato Grosso. Eles estavam distribuídos entre a sede da fazenda e seis retiros, sem acesso a sinal de telefone ou internet. O único ponto com conexão limitada ficava entre quatro e 17 quilômetros de distância, sem oferta de transporte, o que dificultava ainda mais a locomoção. Alguns relataram estar há mais de sete meses sem deixar o local.

A fiscalização constatou ainda jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal remunerado. A maioria trabalhava de segunda a sábado e, aos domingos, realizava atividades extras sem registro formal. Outro ponto crítico foi o alto nível de endividamento dos trabalhadores. Apesar de receberem alimentação básica, itens essenciais, como produtos de higiene e limpeza, eram vendidos dentro da própria fazenda. Os empregados assinavam vales e recibos em branco, o que impedia o controle das dívidas e aumentava a dependência econômica.

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As condições de moradia também foram classificadas como degradantes. Os fiscais encontraram ausência de estrutura adequada para higiene, falta de roupas de cama e riscos à saúde, como a lavagem de roupas contaminadas por agrotóxicos junto às peças pessoais. Além disso, trabalhadores operavam máquinas sem treinamento adequado, expostos a riscos graves de acidentes.

Durante a operação, diversos setores da fazenda foram interditados, incluindo fábrica de ração, oficina mecânica, serraria, açougue e espaços confinados, além de máquinas e instalações elétricas. A cozinha da sede também foi interditada por falta de condições mínimas de higiene.

Após o resgate, os trabalhadores receberam atendimento por meio do Projeto Ação Integrada (PAI/MT), coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, pelo MPT e pela Universidade Federal de Mato Grosso. A operação contou ainda com o apoio da Polícia Militar de Mato Grosso e da Polícia Federal.

O caso segue sob investigação e pode resultar em sanções administrativas e judiciais aos responsáveis pela propriedade.

NORTÃO MT

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