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quinta-feira, 25, junho, 2026

Junho Verde: quando o silêncio do câncer de rim nos obriga a falar

Existe uma certa crueldade silenciosa no câncer de rim. Ao contrário de outros tumores que se anunciam com dor, sangramento ou perda de peso, o carcinoma de células renais costuma crescer sem dar avisos, sem pedir licença. Muitos dos meus pacientes chegam ao consultório com um diagnóstico que só foi possível porque alguém fez um exame de rotina ou investigou uma queixa completamente diferente. É o que chamamos de achado incidental. E, na maioria das vezes, é nesse achado que mora a sorte.

É por isso que o Junho Verde existe. E é por isso que, como urologista, sinto que tenho uma responsabilidade que vai além do bisturi e do prontuário.

O silêncio que preocupa

O rim trabalha sem parar, filtra o sangue, regula a pressão, equilibra os sais do corpo. E justamente por essa discrição toda, quando algo cresce dentro dele, a gente raramente sente. O câncer de rim é o sétimo mais comum entre os homens e o décimo entre as mulheres no Brasil, com cerca de 12 mil novos casos estimados por ano. O tipo mais frequente, o carcinoma de células renais, está fortemente associado ao tabagismo, à obesidade e à hipertensão arterial. Ou seja, boa parte dos fatores de risco é modificável. Isso é, ao mesmo tempo, um dado preocupante e uma mensagem de esperança.

Diagnóstico precoce muda tudo

Nos estágios iniciais, o câncer de rim é altamente tratável. A cirurgia, que hoje pode ser feita de forma minimamente invasiva preservando ao máximo o órgão, oferece taxas de cura superiores a 90% quando o tumor ainda está confinado ao rim. O problema é que, quando os sintomas aparecem, em geral o tumor já cresceu ou já se disseminou. O que vejo com frequência são pacientes que chegam em estágio avançado porque esperaram o corpo “dar um sinal mais claro”. Esse sinal, muitas vezes, demora demais para chegar.

Um simples exame de imagem pedido por outro motivo pode flagrar um tumor renal antes que ele cause qualquer sintoma. Pessoas acima de 40 anos, com histórico familiar de tumores renais, hipertensão de difícil controle, obesidade ou tabagismo ativo merecem atenção redobrada. Não se trata de criar ansiedade, mas de cuidado ativo com a própria saúde.

O que você pode fazer agora

Falar sobre câncer ainda é difícil para muitas pessoas. Existe um medo que paralisa, que prefere não saber a encarar. Mas a negação nunca curou ninguém. O que cura é o diagnóstico precoce, e ele começa com atitudes simples: parar de fumar, cuidar do peso, tratar a pressão com responsabilidade e não deixar o check-up de lado.

O Junho Verde não é campanha de susto. É um convite para olhar para o próprio corpo com mais atenção e mais respeito, antes que o silêncio fale mais alto do que gostaríamos.

Dr. Rodolfo Garcia Borges é urologista especializado em uro-oncologia e cirurgia robótica, especialista em tratamento de hiperplasia prostática, câncer de próstata, rim e bexiga por meio de técnicas minimamente invasivas. Possui formação em cirurgia robótica pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Atua em Cuiabá no HCAN – MT, Oncocenter e em Sorriso-MT na clínica COG. Atua como cirurgião instrutor (proctor) em cirurgia robótica certificado pela Sociedade Brasileira de Urologia – SBU/AMB. Professor da residência médica de Urologia da UFMT. É membro de importantes sociedades urológicas nacionais e internacionais(SBU, EAU, CAU). As opiniões expressas são de natureza informativa e educacional, não substituindo a avaliação médica individualizada.

MAIS INFORMAÇÕES ACESSE(Clique aqui): www.drrodolfoborges.com.br

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