Operação mira servidores da Saúde e policial suspeitos de extorquir colega em R$ 1,1 milhão

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Operação mira servidores da Saúde e policial suspeitos de extorquir colega em R$ 1,1 milhão

Servidores públicos vinculados à Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) e um policial militar estão entre os alvos da Operação Laço Oculto, deflagrada pela Polícia Civil para investigar um suposto esquema de extorsão contra uma servidora da própria pasta.

Segundo a investigação, a vítima teria transferido mais de R$ 1,1 milhão a uma colega de trabalho após ser submetida a um processo contínuo de intimidação e manipulação psicológica entre os anos de 2022 e 2025.

A operação cumpre cinco mandados de busca e apreensão em imóveis, uma ordem de busca e apreensão de veículo, cinco mandados de sequestro de bens e três determinações de bloqueio de ativos financeiros.

As ordens de bloqueio foram direcionadas a três investigados e, somadas, podem alcançar mais de R$ 3,3 milhões.

As diligências são conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá em endereços localizados na Capital e em Várzea Grande.

Além de servidores da SES e do policial militar, também são investigadas pessoas que teriam participado do fluxo financeiro identificado durante a apuração.

A Secretaria de Estado de Saúde informou que não possui envolvimento com o caso e colaborou com as investigações. A Corregedoria da Polícia Militar também participa do cumprimento das ordens judiciais.

Ameaças e manipulação psicológica

Conforme o inquérito, uma colega de trabalho teria convencido a vítima de que ambas estavam sendo ameaçadas por agiotas devido a uma suposta dívida envolvendo outro servidor público.

A investigada afirmava que os criminosos conheciam as duas servidoras e poderiam atacar seus familiares caso os pagamentos não fossem realizados.

Ao mesmo tempo, apresentava-se como vítima da situação e dizia que conseguiria negociar a dívida e proteger a colega.

Mantida em constante estado de medo, a vítima passou a realizar transferências para a conta da investigada. As cobranças teriam continuado durante três anos, sempre acompanhadas de novas ameaças e da alegação de que a dívida aumentava por causa dos juros.

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Para conseguir pagar os valores exigidos, a servidora teria contratado empréstimos, realizado saques em cartões de crédito, resgatado recursos de previdência privada e utilizado economias destinadas aos filhos e à construção da própria residência.

A vítima também teria sido convencida a financiar, em seu nome, uma caminhonete que seria utilizada pelo marido da principal investigada, permanecendo responsável pelo pagamento da dívida.

O suposto esquema foi interrompido depois que o marido da vítima percebeu o abalo emocional da esposa, descobriu as cobranças e impediu que ela mantivesse contato com a investigada. O caso foi então denunciado à polícia.

Mais de R$ 1,1 milhão transferido

A Polícia Civil identificou que a vítima transferiu R$ 1.132.680 diretamente para a conta bancária da colega de trabalho.

O valor foi confirmado após autorização judicial para o afastamento do sigilo bancário e análise financeira realizada por investigadores.

O rastreamento apontou que parte do dinheiro teria sido repassada a outras pessoas ligadas ao grupo investigado.

Também foram identificadas movimentações incompatíveis com os rendimentos formais dos envolvidos, contas com elevada circulação de recursos, milhares de saques em dinheiro e possível utilização de pessoas como “laranjas” para movimentar valores e ocultar patrimônio.

As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias do Polo de Cuiabá, após manifestação favorável do Ministério Público.

A decisão também permitiu a apreensão de veículos e de outros bens que possam ter relação com o suposto proveito do crime, além da extração e análise dos dados armazenados nos aparelhos eletrônicos recolhidos durante a operação.

As investigações continuam para identificar a participação de cada envolvido e o destino dos valores movimentados.

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