
O padre italiano Nazareno Lanciotti, que dedicou quase 30 anos de trabalho missionário em Jauru, a 405 km de Cuiabá, foi beatificado neste sábado (13) em uma cerimônia marcada por emoção e fé. A celebração foi presidida pelo cardeal João Braz de Aviz e oficializou o reconhecimento da Igreja Católica ao sacerdote como mártir.
A beatificação ocorreu após a Igreja reconhecer que Padre Nazareno foi morto em razão de sua atuação contra problemas sociais que afetavam a comunidade, como exploração de menores, prostituição e tráfico de drogas.
A cerimônia reuniu fiéis, religiosos e autoridades na Diocese de São Luís de Cáceres. Durante a homilia, o cardeal destacou a importância da trajetória do missionário e afirmou que a vida do novo beato representa um exemplo de dedicação ao Evangelho e ao cuidado com os mais vulneráveis.
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“Por 29 ou 30 anos, até o seu martírio em 2001”, afirmou o cardeal ao lembrar da missão assumida pelo sacerdote no Brasil.
Nascido em Roma, em 1940, Nazareno Lanciotti entrou para o seminário ainda jovem e foi ordenado padre em 1966. Após conhecer a Operação Mato Grosso, decidiu seguir para o Brasil em 1971. No ano seguinte, chegou a Jauru, onde fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar e iniciou um trabalho voltado à evangelização e ações sociais.
Durante sua atuação, criou o Asilo Coração Imaculado de Maria, fortaleceu projetos de catequese, realizou retiros, participou da luta pela construção de um hospital e idealizou o Santuário Imaculado Coração de Maria.
A postura firme do sacerdote contra situações de violência e exploração acabou gerando conflitos com grupos criminosos. Na noite de 11 de fevereiro de 2001, dois homens encapuzados invadiram a casa paroquial e atiraram contra o padre. Ele morreu dias depois, aos 61 anos.
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