
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25), a Operação Fluxo Oculto, terceira fase de uma investigação que apura a atuação de uma facção criminosa envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ao todo, estão sendo cumpridas 90 ordens judiciais nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
As determinações foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo de Sinop, a pedido da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop.
Entre as medidas estão 13 mandados de prisão, 19 de busca e apreensão e outras 58 determinações judiciais voltadas ao aprofundamento das investigações e à descapitalização da organização criminosa.
Em Mato Grosso, as ações ocorrem nos municípios de Sinop, Cláudia, Rondonópolis, Várzea Grande e Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, três líderes da facção estão entre os principais alvos da operação. Ao todo, 31 pessoas físicas e duas empresas são investigadas por suposta participação direta ou indireta no esquema criminoso.
Como parte da estratégia para enfraquecer financeiramente o grupo, a Justiça determinou o bloqueio de ativos que somam aproximadamente R$ 9,3 milhões.

Esquema de lavagem de dinheiro
As investigações apontam que integrantes da facção utilizavam empresas formalmente constituídas para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas e inseri-los no sistema financeiro com aparência de legalidade.
Entre os estabelecimentos investigados está um supermercado localizado em Cláudia. Conforme a apuração, a empresa teria sido utilizada para movimentar e disfarçar valores obtidos de forma ilícita.
A Draco também identificou que parte do dinheiro arrecadado com a comercialização de drogas em Mato Grosso era transferida para o Rio de Janeiro, revelando uma estrutura organizada de movimentação financeira e distribuição de recursos da facção.
De acordo com o delegado Eugênio Rudy Junior, responsável pelo caso, o grupo criminoso criou mecanismos para dificultar o rastreamento da origem dos valores.
“As investigações demonstraram que a facção utilizava empresas legalmente constituídas para mascarar a origem ilícita dos recursos obtidos com o tráfico de drogas, conferindo aparência de legalidade ao dinheiro e dificultando a atuação dos órgãos de persecução criminal”, afirmou.
Investigação teve início em 2025
A Operação Fluxo Oculto é resultado de uma investigação iniciada em 2025, após a prisão em flagrante de dois integrantes da facção no município de Cláudia.
Com o avanço das diligências, os investigadores conseguiram identificar a estrutura da organização criminosa, seus integrantes e os métodos utilizados para ocultar os lucros obtidos com o tráfico.
Em março deste ano, a Draco deflagrou a Operação Aurora Fronteiriça, quando apreendeu 525 quilos de cocaína e pasta base pertencentes ao mesmo grupo criminoso, uma das maiores apreensões realizadas no decorrer das investigações.
Já em maio, durante a Operação Vinculum Sanguinis, segunda fase da apuração, foram apreendidos 25 quilos de pasta base de cocaína, R$ 169 mil em espécie, além da prisão de três suspeitos. Na ocasião, também foi determinado o sequestro judicial de mais de R$ 3 milhões em bens e valores ligados aos investigados.

Segundo a Polícia Civil, as novas descobertas revelaram que a organização não atuava apenas no tráfico em larga escala, mas mantinha uma sofisticada estrutura financeira voltada à lavagem de dinheiro.
As investigações continuam com a análise dos materiais apreendidos e dos dados obtidos a partir das medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
NORTÃO MT










