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quinta-feira, 18, junho, 2026

Queda no preço do milho e alta dos custos pressionam produtores em MT

Marcos Vergueiro/Secom-MT

Mesmo com uma produção recorde de milho prevista para a safra 2025/26, produtores de Mato Grosso enfrentam um cenário de rentabilidade cada vez mais apertada. O aumento dos custos de produção, aliado à queda nas cotações do cereal, tem reduzido significativamente os ganhos no campo e acendido um alerta para os próximos ciclos agrícolas.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que a produção estadual deve alcançar 53,35 milhões de toneladas nesta safra, um crescimento de mais de 63% em relação às 32,56 milhões de toneladas colhidas em 2020/21. A área plantada também avançou, passando de 5,84 milhões para 7,39 milhões de hectares.

Apesar dos números positivos no campo, o mercado não tem acompanhado esse crescimento. Depois de atingir média de R$ 71,14 por saca em 2021, com picos próximos de R$ 80, o milho voltou a ser negociado em valores muito inferiores. Em 2026, a média registrada até junho é de R$ 45,31 por saca.

A redução dos preços ocorre em um momento em que os produtores enfrentam custos cada vez mais elevados. O Custo Operacional Efetivo (COE) aumentou de R$ 3.381,94 por hectare na safra 2021/22 para R$ 4.806,17 por hectare na temporada 2025/26. Fertilizantes, defensivos agrícolas, combustíveis e máquinas estão entre os principais responsáveis pela alta.

Segundo o vice-presidente Oeste da Aprosoja Mato Grosso, Gilson Antunes de Melo, a forte oscilação das cotações tem sido uma das maiores preocupações do setor. De acordo com ele, os produtores saíram de um período de preços próximos a R$ 30 por saca, passaram por uma fase de valorização acima de R$ 70 e agora enfrentam novamente um mercado pressionado.

A consequência aparece diretamente na rentabilidade das lavouras. O Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA) caiu de R$ 2.278,34 por hectare na safra 2021/22 para R$ 683,18 por hectare em 2025/26.

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As projeções para o próximo ciclo são ainda mais preocupantes. Para a safra 2026/27, a estimativa do Imea é de um LAJIDA de apenas R$ 70,96 por hectare, indicando uma margem extremamente reduzida para o produtor.

Além da queda nos preços e do aumento dos custos, a grande oferta de milho no mercado também contribui para pressionar as cotações. Com safras recordes no Brasil e o avanço da colheita da segunda safra, a disponibilidade do grão aumentou significativamente nos últimos anos.

Problemas relacionados à armazenagem e ao escoamento da produção também agravam a situação, especialmente em Mato Grosso, maior produtor de milho do país.

Diante desse cenário, representantes do setor alertam que a redução da rentabilidade pode impactar diretamente os investimentos nas próximas safras. Com menos recursos disponíveis, muitos produtores tendem a diminuir gastos com tecnologia, fertilização e manejo, fatores que podem comprometer a produtividade futura.

Para o setor, o desafio agora não é apenas produzir mais, mas garantir que a atividade continue economicamente viável diante de custos elevados e preços cada vez mais pressionados.

NORTÃO MT

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