
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estuda o retorno emergencial do horário de verão como forma de enfrentar um possível déficit de potência energética no país entre 2025 e 2029. A medida, que já está em avaliação técnica, poderá ser implantada ainda este ano, com previsão de início até agosto, caso seja aprovada. Segundo o ONS, o horário de verão poderia reduzir em até 2 gigawatts (GW) a demanda no Sistema Interligado Nacional (SIN) durante os horários de pico.
A possível retomada da mudança nos relógios — extinta em 2019 — tem provocado diferentes reações em todo o país, inclusive em Mato Grosso. Em Sorriso, enquanto parte da população vê a medida como positiva, outros acreditam que ela pode trazer transtornos à rotina.

A moradora Márcia Silva, por exemplo, não aprova a proposta. “Atrapalha bastante, principalmente na hora de acordar. A gente já levanta cedo, e com o horário de verão tudo parece ainda mais escuro e cansativo”, comenta.
Já o empresário Francisco Almeida, do ramo de panificação, acredita que o retorno seria bem-vindo. “Para quem acorda um pouco mais tarde ou tem flexibilidade, o horário de verão oferece uma hora a mais de lazer e produtividade. Facilitaria muito, inclusive para o comércio”, opina.
De acordo com Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, o sistema elétrico nacional está sob pressão, principalmente no final da tarde, quando a geração solar se reduz e a demanda cresce rapidamente. “A volta do horário de verão pode ajudar a aliviar o sistema nesses momentos críticos”, afirmou.
Apesar da possibilidade, especialistas avaliam que a medida, sozinha, pode não ser suficiente. Para o pesquisador Ivo Leandro Dorileo, da UFMT e Unicamp, a solução deve passar por ações mais estruturais, como leilões de potência e programas de eficiência energética. “O horário de verão não resolve o problema. Precisamos incentivar a redução voluntária de consumo e outras formas de resposta da demanda”, explica.
O engenheiro eletricista Teomar Estevão Magri, coordenador de Energia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT), também reconhece que o horário de verão pode ser um alívio temporário, mas defende que ele seja combinado com outras medidas técnicas. “Se usado com inteligência, pode evitar o acionamento de usinas termelétricas, que são mais caras e poluentes”, destacou.
A decisão final sobre o retorno do horário de verão caberá ao governo federal, com base em estudos técnicos e nos impactos sobre o sistema elétrico nacional. Até lá, o tema segue dividindo opiniões entre especialistas, empresários e a população.
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