
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve a prisão preventiva do juiz de paz Idelbrando Abadia Rodrigues, conhecido como “Calango”, investigado por suposta participação em um esquema de desvio de veículos apreendidos em Sorriso. A decisão foi proferida pelo desembargador Sergio Valério, da Segunda Câmara Criminal, e publicada na última terça-feira (27).
Idelbrando foi alvo da Operação Eidolon, deflagrada pela Polícia Civil para desarticular uma organização criminosa suspeita de retirar ilegalmente veículos que estavam sob custódia do poder público municipal.
Na decisão, o desembargador rejeitou os argumentos apresentados pela defesa, que buscava revogar a prisão preventiva. Os advogados alegaram que o processo deveria tramitar em uma vara especializada em combate ao crime organizado, além de sustentarem que a prisão teria sido decretada com fundamentação genérica e baseada em fatos antigos.
A defesa também argumentou que nenhuma irregularidade foi encontrada durante as buscas realizadas nos endereços do investigado e pediu a substituição da prisão por medidas cautelares, considerando a idade de 65 anos e as condições de saúde do juiz de paz.
No entanto, o magistrado entendeu que não há qualquer ilegalidade na decisão que determinou a prisão. Segundo ele, existem elementos suficientes indicando a necessidade da medida para garantir a ordem pública e interromper a suposta atuação da organização criminosa.
Conforme as investigações, Idelbrando teria desempenhado papel fundamental no esquema ao supostamente confeccionar e expedir procurações falsas utilizadas para dar aparência de legalidade à retirada irregular dos veículos apreendidos.
Na avaliação do desembargador, a atuação atribuída ao investigado era essencial para o funcionamento da fraude, uma vez que os documentos conferiam aparência de autenticidade aos procedimentos realizados pelos integrantes do grupo criminoso.
“A conduta atribuída ao investigado representa etapa indispensável para viabilizar a retirada ilícita dos veículos, conferindo aparência de legalidade e fé pública aos atos fraudulentos”, destacou trecho da decisão.
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Operação revelou desaparecimento de dezenas de veículos
A Operação Eidolon foi lançada pela Polícia Civil após investigações apontarem a existência de um esquema estruturado para desviar veículos apreendidos que estavam armazenados em pátios vinculados ao município de Sorriso.
Segundo a polícia, pelo menos 69 veículos teriam desaparecido. O grupo seria composto por servidores públicos, falsificadores de documentos e receptadores.
As investigações apontam que os suspeitos selecionavam veículos com menor probabilidade de serem reclamados pelos proprietários. Em seguida, eram produzidas procurações fraudulentas, algumas delas mediante adulteração de certificados digitais da plataforma Gov.br e outras confeccionadas com o auxílio de cartórios.

Após a emissão de documentos falsificados para liberação, os veículos eram retirados dos pátios e posteriormente revendidos ou adulterados.
O caso começou a ser apurado após um empresário do Paraná denunciar uma suposta tentativa de cobrança indevida para a liberação de um veículo apreendido. Ao buscar recuperar o automóvel de forma legal, ele descobriu que o bem já não se encontrava mais no local onde deveria estar armazenado.
Durante o cumprimento dos mandados da operação, os investigadores localizaram veículos roubados, peças automotivas, materiais utilizados em desmanches e equipamentos destinados à remarcação de chassis.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar a extensão do esquema criminoso.
NORTÃO MT








