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sábado, 7, março, 2026

Internet móvel ainda é um desafio nas lavouras de soja de Mato Grosso

Mesmo sendo o maior produtor de grãos do Brasil, o estado de Mato Grosso ainda enfrenta um obstáculo que impacta diretamente a produtividade no campo: a falta de conectividade. Um problema que vai além do conforto e atinge em cheio a gestão e o desempenho das lavouras.

Segundo um estudo recente da Universidade Federal de Viçosa, em parceria com a ConectarAgro, apenas 33,1% das áreas de cultivo de soja no Brasil possuem cobertura de internet móvel (4G ou 5G). Em Mato Grosso, esse percentual é ainda menor, com apenas 18% das áreas produtivas com esse tipo de acesso.

O relatório revela que os melhores índices de conectividade no campo estão nas regiões Sul e Sudeste do país. O estado de Paraná aparece com 72% de cobertura nas lavouras de soja, seguido por São Paulo, com 68,8%. Já nas regiões Norte e no chamado MATOPIBA (que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a cobertura em muitos casos não passa de 15%.

Na prática, essa limitação tecnológica representa desafios reais para os produtores. Na Fazenda Renascer, localizada nos arredores de Itaúba (MT), a produção é dividida entre soja e milho. Por lá, o acesso à internet se restringe a um sistema de wi-fi instalado na sede da propriedade. O sinal é distribuído por uma torre e atinge apenas os alojamentos e barracões.

A comunicação diária é feita através de rádio, usado nos locais onde a cobertura da torre não alcança mais. No entanto, o produtor Diogo Migliorini já vivenciou outra realidade, em uma fazenda anterior onde o sinal de internet móvel estava disponível em boa parte da área produtiva.

“Lá nós tínhamos a facilidade na comunicação porque, em qualquer lugar que nós estivéssemos dentro da área, nós conseguíamos resolver um problema com alguma peça, dar suporte para algum equipamento e no dia-a-dia também”, relata Diogo.

Para o agricultor, a ausência de sinal móvel no campo dificulta a comunicação com os funcionários durante as operações diárias, especialmente em períodos de plantio e colheita, quando cada minuto conta. As consequências refletem na produção, ocasionando atraso nos trabalhos quando o menor dos problemas surge.

“Hoje os equipamentos estão cada vez mais tecnológicos, então nós dependemos dessa comunicação rápida. Se der um problema na lavoura e o funcionário tiver que ir lá na sede para resolver, a gente acaba perdendo muito tempo”, explica.

Além da operação diária, a falta de conectividade também influencia na contratação de novos trabalhadores. Muitos candidatos desistem de vagas ao saberem que não há sinal de celular na área onde irão trabalhar, mesmo que exista wi-fi disponível em algumas partes da propriedade.

“Nós estamos cada vez mais dependentes da comunicação rápida. Já tivemos a experiência de cair uma torre próxima da propriedade e ficamos dez dias sem sinal. Eu perdi funcionário por causa disso”, comenta o produtor.

A limitação de sinal se torna, assim, não apenas um entrave tecnológico, mas também uma barreira para a modernização do setor e a atração de mão de obra qualificada. Em um estado que lidera a produção agrícola nacional, a ausência de conectividade é um ponto de atenção e um desafio a ser superado para garantir eficiência, inclusão e desenvolvimento sustentável no campo.

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