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sexta-feira, 6, março, 2026

Decisão judicial coloca em risco moradia de 80 famílias em assentamento de Sorriso

Cerca de 200 pessoas que vivem há mais de uma década no Assentamento Vitória, em Sorriso (MT), podem ser removidas após determinação da Justiça. A ordem de reintegração de posse, assinada pelo juiz Walter Fabrício Simeone da Silva, atinge diretamente 80 famílias que ocupam a área, anteriormente conhecida como Assentamento Pé-no-Chão.

Os moradores relatam que, ao longo de 14 anos, ergueram casas de alvenaria, criaram filhos e tiraram sustento de pequenas atividades agrícolas no local. Agora, vivem a incerteza de perder o espaço que consideram seu lar.

A Prefeitura de Sorriso (MT) se reuniu nesta segunda-feira (29) com moradores do Assentamento Vitória para discutir os efeitos de uma decisão liminar que prevê a reintegração de posse da área e ameaça retirar mais de 80 famílias que vivem no local há mais de uma década. A medida foi determinada pelo juiz Walter Fabrício Simeone da Silva no dia 19 de setembro e gerou forte mobilização da comunidade.

Durante o encontro, o prefeito Alei Fernandes, acompanhado do vice-prefeito Acacio Ambrosini, da primeira-dama e secretária da Mulher e da Família, Mara Fernandes, e do procurador-geral Alex Sandro Monarin, afirmou que o município vai interceder junto a órgãos federais, como o Incra, em busca de alternativas que assegurem a permanência dos moradores. Ele destacou que a área, conhecida como Assentamento Vitória, possui atividades produtivas e já recebe serviços de saúde, educação e assistência técnica.

“Não se trata apenas de terra ocupada, mas de um espaço que gera renda, contribui com a merenda escolar e abastece feiras locais. Já estamos articulando com a Procuradoria e com o Incra para encontrar uma solução viável”, afirmou o prefeito, que também colocou à disposição transporte para que representantes da comunidade possam participar de reuniões em Cuiabá.

O vice-prefeito reforçou a preocupação com os impactos sociais de uma possível remoção, enquanto os assentados relataram que idosos, crianças e até mesmo animais seriam diretamente prejudicados. Eles ressaltaram ainda que a produção leiteira e outras atividades agrícolas garantem a subsistência das famílias.

O padre Valdevino de Almeida também participou da reunião e manifestou apoio à comunidade. Segundo ele, o assentamento é organizado, produtivo e desempenha papel importante para a economia local. “Mais de 80 famílias vivem e trabalham ali. Uma decisão dessa dimensão pode comprometer a dignidade dessas pessoas”, alertou.

A decisão judicial ainda não tem prazo definido para ser cumprida, mas segue gerando apreensão e mobilizando lideranças locais em defesa das famílias.

NORTÃO MT

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