
Cerca de 200 pessoas que vivem há mais de uma década no Assentamento Vitória, em Sorriso (MT), podem ser removidas após determinação da Justiça. A ordem de reintegração de posse, assinada pelo juiz Walter Fabrício Simeone da Silva, atinge diretamente 80 famílias que ocupam a área, anteriormente conhecida como Assentamento Pé-no-Chão.
Os moradores relatam que, ao longo de 14 anos, ergueram casas de alvenaria, criaram filhos e tiraram sustento de pequenas atividades agrícolas no local. Agora, vivem a incerteza de perder o espaço que consideram seu lar.
A Prefeitura de Sorriso (MT) se reuniu nesta segunda-feira (29) com moradores do Assentamento Vitória para discutir os efeitos de uma decisão liminar que prevê a reintegração de posse da área e ameaça retirar mais de 80 famílias que vivem no local há mais de uma década. A medida foi determinada pelo juiz Walter Fabrício Simeone da Silva no dia 19 de setembro e gerou forte mobilização da comunidade.
Durante o encontro, o prefeito Alei Fernandes, acompanhado do vice-prefeito Acacio Ambrosini, da primeira-dama e secretária da Mulher e da Família, Mara Fernandes, e do procurador-geral Alex Sandro Monarin, afirmou que o município vai interceder junto a órgãos federais, como o Incra, em busca de alternativas que assegurem a permanência dos moradores. Ele destacou que a área, conhecida como Assentamento Vitória, possui atividades produtivas e já recebe serviços de saúde, educação e assistência técnica.
“Não se trata apenas de terra ocupada, mas de um espaço que gera renda, contribui com a merenda escolar e abastece feiras locais. Já estamos articulando com a Procuradoria e com o Incra para encontrar uma solução viável”, afirmou o prefeito, que também colocou à disposição transporte para que representantes da comunidade possam participar de reuniões em Cuiabá.
O vice-prefeito reforçou a preocupação com os impactos sociais de uma possível remoção, enquanto os assentados relataram que idosos, crianças e até mesmo animais seriam diretamente prejudicados. Eles ressaltaram ainda que a produção leiteira e outras atividades agrícolas garantem a subsistência das famílias.
O padre Valdevino de Almeida também participou da reunião e manifestou apoio à comunidade. Segundo ele, o assentamento é organizado, produtivo e desempenha papel importante para a economia local. “Mais de 80 famílias vivem e trabalham ali. Uma decisão dessa dimensão pode comprometer a dignidade dessas pessoas”, alertou.
A decisão judicial ainda não tem prazo definido para ser cumprida, mas segue gerando apreensão e mobilizando lideranças locais em defesa das famílias.

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