
Os trabalhadores dos Correios em todo o país podem entrar em greve ainda em dezembro, criando o risco de colapso nas entregas de Natal e Ano Novo. Em Mato Grosso, a mobilização ganha força e coloca o estado entre os que já aprovaram a contraproposta apresentada pela estatal, influenciando diretamente o cenário nacional que definirá o futuro do acordo coletivo.
A decisão final sobre a deflagração da greve depende da conclusão das assembleias realizadas pelos 31 sindicatos filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect). Para que o novo acordo coletivo seja aprovado, são necessários votos favoráveis de 21 entidades, equivalentes a dois terços do total.
Mato Grosso já votou e aprovou
O SINTECT-MT, sindicato que representa os trabalhadores dos Correios no estado, já realizou sua assembleia e aprovou a contraproposta enviada pela direção dos Correios. A decisão coloca Mato Grosso entre os estados que têm contribuído para frear uma possível greve nacional, apesar do clima de insatisfação ainda generalizado na categoria.
Segundo trabalhadores mato-grossenses ouvidos pela reportagem, há grande preocupação com perdas salariais acumuladas nos últimos anos, que chegam a 40%, além de mudanças no plano de saúde, sobrecarga nas agências e o modelo de distribuição alternada, que tem prejudicado a qualidade dos serviços, inclusive no interior mato-grossense.

Possíveis impactos em Mato Grosso
Se a greve for deflagrada mesmo com a maioria aprovando o acordo — o efeito será imediato em Mato Grosso:
- risco de paralisação de entregas em Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, Cuiabá, Várzea Grande e interior;
- atrasos em correspondências comuns, encomendas e e-commerce;
- impacto direto em setores do agronegócio que dependem de remessas documentais;
- risco de sobrecarga em transportadoras privadas.
O período é considerado o mais crítico do ano para o sistema logístico, com aumento de até 40% no volume de encomendas entre novembro e dezembro.
O que está em disputa
A categoria reivindica a recuperação de cláusulas trabalhistas retiradas durante o Governo Bolsonaro e a recomposição das perdas inflacionárias. A primeira proposta, apresentada pela direção dos Correios em 17 de agosto, foi rejeitada pelos sindicatos por não cobrir a inflação e não incluir demandas essenciais como:
- melhorias no plano de saúde;
- melhores condições de trabalho;
- contratação de novos servidores;
- fim da distribuição alternada, que afeta diretamente cidades do interior — incluindo Mato Grosso.
Após pressão, o presidente da estatal, Fabiano Silva, apresentou uma nova proposta econômica, que inclui:
- abono salarial de R$ 1 mil em setembro;
- bonificação de R$ 1,5 mil em janeiro;
- reajuste linear de R$ 250 a partir de janeiro;
- para salários acima de R$ 7 mil, reajuste de 3,53%.
Cenário nacional: maioria aprova, mas ainda há risco de greve
Até agora, 16 entidades já realizaram assembleias. Destas, 15 aprovaram a proposta — incluindo Mato Grosso — e apenas o Rio Grande do Sul rejeitou.
Próximas assembleias ocorrerão nos dias:
- 15 de dezembro: Santa Maria (RS) e Roraima;
- 19 de dezembro: Acre, Bahia, Alagoas, Amazonas, Maranhão, Juiz de Fora (MG), Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Vale do Paraíba (SP), Ribeirão Preto (SP), São José do Rio Preto (SP), Sergipe e Santos (SP);
- 20 de dezembro: Piauí;
- 21 de dezembro: Bauru, São Paulo (capital), Rio de Janeiro e Tocantins.
Outra federação paralela também fará votações: no Maranhão, dia 19, e nos sindicatos de Bauru, São Paulo Metropolitana, Rio de Janeiro e Tocantins, no dia 21.
AGÊNCIA NORTÃO MT








