
A mãe de Bruno Aparecido dos Santos, menino assassinado aos nove anos em 2005, voltou a falar sobre o caso após a morte de João Ferreira da Silva, condenado pelo crime. Em entrevista exclusiva à Real TV, afiliada da Record TV em Sinop, Josiana Aparecida da Silva relembrou a dor da perda do filho e comentou a execução do autor, morto na última quarta-feira (10).
Bruno desapareceu em 28 de outubro de 2005, depois de sair da casa do pai para visitar uma tia. A família iniciou buscas imediatas, mobilizando moradores em uma varredura por toda a cidade, incluindo áreas de mata e regiões de difícil acesso. O menino foi encontrado morto em 1º de novembro, em um dos casos mais chocantes da história de Sinop.
Durante a entrevista, Josiana contou que, embora o tempo amenize a dor, o sofrimento nunca desapareceu.
“Eu não gosto de comentar, mas nunca esqueço. A dor acalma, né? Deus conforta a gente. E todos os dias eu lembro dele”, disse.
A mãe também lembrou que Bruno estaria com 29 anos hoje. Emocionada, falou sobre os sonhos interrompidos pela tragédia:
“Hoje ele poderia ter meus netos, poderia ser um homem formado. Não tenho nada disso. É uma dor.”
Sobre a morte de João Ferreira da Silva, Josiana afirmou acreditar que outras vítimas foram poupadas.
“Eu peço perdão a Deus por estar feliz. Não pelo meu filho, porque ele não volta mais. Mas estou feliz por ele não poder matar mais ninguém. Nenhuma criança vai ser morta por ele.”
João Ferreira da Silva foi morto na manhã de quarta-feira (10), em Sinop, poucas horas após deixar a Penitenciária Osvaldo Florentino Leite, o Ferrugem. Ele foi atingido por diversos disparos e morreu no local. A Polícia Civil apura se existe relação entre a libertação e o assassinato, mas a motivação e a autoria ainda não foram esclarecidas.
Na véspera, João havia sido solto após apresentação de alvará de soltura expedido pela Justiça de Sinop decisão que provocou forte repercussão devido à gravidade do crime pelo qual foi condenado.

Relembre o crime
De acordo com as investigações, em 2005 João atraiu Bruno até a casa em construção onde morava. Em depoimento à época, confessou ter agredido, violentado e matado o menino, enterrando o corpo nas proximidades do imóvel.
Dez dias após o desaparecimento, ele foi preso por outro atentado contra uma criança. Durante busca na construção, policiais encontraram indícios que o ligavam ao crime, como bolinhas de gude que pertenciam ao garoto. Confrontado pelas provas, o acusado confessou o homicídio e indicou o local onde havia escondido o corpo.
A investigação reuniu laudos periciais, mapa topográfico de lesões, análise do local de morte violenta e confirmação da ocultação do cadáver. Anos depois, já em juízo, ele declarou que “não se recordava” se era ou não o autor dos fatos.
NORTÃO MT








