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quinta-feira, 12, março, 2026

Raízen pede recuperação extrajudicial e inclui dívidas de R$ 65 bilhões

A gigante brasileira de energia e bioenergia Raízen protocolou na noite desta quarta-feira um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, com apoio inicial de credores que representam mais de 40% do passivo financeiro, segundo pessoas a par das negociações.

O acordo prevê um standstill de 90 dias, período em que a companhia suspenderá o pagamento de juros e principal da dívida enquanto negocia um plano definitivo de reestruturação com os credores. Durante esse intervalo, a empresa busca reorganizar sua estrutura financeira e preservar caixa para a operação.

A companhia informou que continuará honrando normalmente os pagamentos a fornecedores, preservando a cadeia produtiva em um momento estratégico: o início da safra de cana-de-açúcar, quando a necessidade de capital de giro aumenta significativamente.

A empresa é assessorada no processo pelos escritórios E.Munhoz Advogados, Pinheiro Neto, XGIVS Advogados, TWK Advogados e pela consultoria financeira Rothschild & Co.

No fim de dezembro, a Raízen tinha cerca de R$ 17,3 bilhões em caixa, enquanto aproximadamente metade da dívida está nas mãos de bancos, e a outra metade distribuída entre bondholders, detentores de CRAs e debenturistas.

Reestruturação ocorre em meio a dificuldades financeiras

A recuperação extrajudicial busca criar um ambiente jurídico protegido para negociar as dívidas financeiras sem garantia da companhia e implementar um plano de reestruturação ordenado.

Nos últimos anos, a empresa acumulou um elevado nível de endividamento após fortes investimentos em expansão, clima adverso nas safras e oscilações no mercado de combustíveis e açúcar, o que pressionou os resultados financeiros.

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O processo também ocorre enquanto a gestão conduz um turnaround operacional liderado pelo CEO Nelson Gomes, com foco em melhora de eficiência, revisão de investimentos e fortalecimento da estrutura de capital.

Gigante da bioenergia

Criada em 2010 a partir da união de ativos da brasileira Cosan e da anglo-holandesa Shell, a Raízen se tornou uma das maiores empresas de energia do Brasil e líder global no setor sucroenergético.

A companhia atua de forma integrada em diversos mercados, incluindo:

Produção de etanol de cana-de-açúcar, sendo a maior produtora mundial

Produção e comercialização de açúcar

Bioenergia e cogeração de energia elétrica a partir do bagaço da cana

Etanol de segunda geração (E2G), produzido a partir de resíduos da biomassa

Distribuição de combustíveis, com mais de 7 mil postos sob a marca Shell na América do Sul

Aviação e combustíveis para o setor aéreo

Biogás e biometano

Rede de lojas de conveniência e serviços de mobilidade

Após incorporar os ativos da Biosev, a empresa passou a operar cerca de 35 unidades de produção de açúcar, etanol e bioenergia, com capacidade de moagem de aproximadamente 105 milhões de toneladas de cana por ano e geração de 3 mil megawatts de energia elétrica a partir de biomassa.

Próximos passos

Nos próximos três meses, a Raízen pretende negociar com credores um plano que pode incluir:

extensão de prazos de pagamento

troca de dívida por ações (debt-to-equity)

venda de ativos

possível aporte de capital pelos acionistas

Caso obtenha adesão suficiente dos credores, o plano poderá ser homologado pela Justiça e passar a valer para todos os envolvidos na reestruturação.

Nortão MT com G1

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