EUA encerram negociações e enviam a Trump recomendação de novo tarifaço sobre o Brasil

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EUA encerram negociações e enviam a Trump recomendação de novo tarifaço sobre o Brasil
Reprodução Instagram

O governo dos Estados Unidos concluiu as negociações comerciais com o Brasil e encaminhou ao presidente Donald Trump uma recomendação final para a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

A informação foi comunicada pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, durante uma reunião virtual com integrantes do governo brasileiro, realizada na terça-feira (14). A decisão definitiva sobre a adoção das tarifas caberá a Trump.

Participaram do encontro o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o embaixador Maurício Lyrio, responsável por parte das negociações conduzidas pelo Itamaraty, e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.

Durante a videoconferência, os representantes brasileiros contestaram a avaliação norte-americana e disseram que os Estados Unidos não apresentaram justificativas técnicas suficientes para sustentar a investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial do país.

O procedimento analisa práticas que o governo norte-americano considera prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos. Entre os pontos avaliados estão tarifas preferenciais, comércio digital, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

A delegação brasileira também rebateu as acusações relacionadas à preservação ambiental e afirmou que os dados recentes sobre o desmatamento na Amazônia não correspondem ao cenário apresentado pelo governo norte-americano.

Proposta sobre etanol e açúcar foi rejeitada

Durante as negociações, o Brasil propôs diminuir a tarifa cobrada sobre a entrada do etanol norte-americano no país. Em contrapartida, pediu maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado dos Estados Unidos.

Segundo a Revista Oeste, a proposta não avançou porque o USTR não demonstrou interesse em discutir o acordo apresentado pelas autoridades brasileiras.

Greer também informou que o novo pacote não deverá contar com uma “lista dinâmica” de exceções. Na prática, a declaração indica que a relação de produtos isentos não deverá ser ampliada gradualmente depois do anúncio das tarifas.

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Apesar disso, o representante comercial afirmou ter registrado os pedidos apresentados pelo governo e por empresários brasileiros para que uma quantidade maior de produtos seja excluída da taxação desde o início.

Governo espera preservar produtos industrializados

Os representantes brasileiros destacaram que parte das exportações para os Estados Unidos é produzida por subsidiárias de companhias norte-americanas instaladas no Brasil.

Essas empresas fabricam peças e componentes no país e enviam os produtos para suas próprias matrizes em território norte-americano. O argumento foi apresentado para demonstrar que as tarifas também poderiam aumentar os custos de empresas dos Estados Unidos.

A avaliação brasileira é de que esse ponto foi recebido de forma positiva pelo USTR e pode contribuir para a inclusão de novos produtos industrializados na lista de exceções.

Conforme cálculos apresentados pelo governo brasileiro, as tarifas podem atingir cerca de 21% do valor das exportações nacionais destinadas aos Estados Unidos. A expectativa da equipe econômica é reduzir esse impacto por meio da ampliação das mercadorias isentas.

Embora tenha declarado encerrada a etapa de negociação, Greer indicou que o canal de comunicação entre os dois governos deverá permanecer aberto.

 

Com informações da Revista Oeste.

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