A 4ª Vara Cível de Sinop autorizou o processamento da recuperação judicial do grupo Nutri Mais, que acumula aproximadamente R$ 22,4 milhões em dívidas.
Fundado em 2017, o grupo atua no comércio atacadista de insumos, fertilizantes e defensivos agrícolas, além de prestar serviços no setor de transportes. A empresa possui unidades em Matupá, no norte de Mato Grosso, e em Santarém, no Pará.
No pedido apresentado à Justiça, a organização afirmou que passou a enfrentar dificuldades financeiras após a queda nos preços dos insumos e os problemas climáticos que afetaram produtores rurais atendidos pelo grupo.
Segundo o processo, esse cenário provocou um aumento da inadimplência dos clientes e comprometeu o pagamento de fornecedores e instituições financeiras.
A empresa também informou que utilizava operações de antecipação de recebíveis. Com o atraso nos pagamentos dos clientes, o grupo teria perdido parte da capacidade de manter os compromissos financeiros em dia.
Veículos foram considerados essenciais
A Justiça reconheceu como essenciais para a continuidade das atividades 11 caminhões, cinco caminhonetes e dezenas de semirreboques pertencentes ao grupo.
Com a decisão, esses veículos não poderão ser retirados ou vendidos, neste momento do processo, para o pagamento das dívidas incluídas na recuperação judicial.
A medida busca permitir que a empresa continue operando enquanto negocia um plano de pagamento com os credores.
Durante o período de proteção judicial, ações de cobrança e execuções relacionadas aos créditos incluídos no processo ficam suspensas, conforme as regras previstas na legislação de recuperação de empresas.
Maiores dívidas são com bancos
A relação apresentada no processo soma cerca de R$ 22,4 milhões. Entre os principais credores estão:
- Banco do Brasil: R$ 5,57 milhões;
- Banco Volkswagen: R$ 5,06 milhões;
- Banco Cooperativo Sicredi: R$ 3,99 milhões;
- Prime Agro Produtos Agrícolas: R$ 2,62 milhões;
- M Diesel Caminhões e Ônibus: R$ 1,56 milhão;
- GDM Genética do Brasil: R$ 1,22 milhão;
- Scania Banco: R$ 1,08 milhão;
- Banco Rodobens: R$ 685,3 mil;
- Banco Rondon: R$ 311,4 mil.
Também aparecem na lista empresas de pneus, autopeças, manutenção de caminhões e fornecedores do setor agrícola, além de credores trabalhistas.
A autorização para o processamento da recuperação judicial não representa o perdão das dívidas. O grupo deverá apresentar um plano detalhando como pretende reorganizar as atividades e pagar os credores. A proposta ainda deverá ser analisada durante o andamento do processo.

