O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, negou o pedido de liberdade apresentado pela defesa da fazendeira Cleusa Bianchini, apontada pela Polícia Civil como uma das mandantes do assassinato do advogado José Antônio da Silva, de 65 anos, conhecido como “Doutor Pinga”, em Nova Ubiratã, no norte de Mato Grosso.
A decisão foi publicada nesta quarta-feira (22). A defesa alegou que Cleusa está presa desde julho de 2025 e que o processo estaria aguardando apenas a perícia no celular da vítima. O pedido era para que a prisão preventiva fosse revogada ou, alternativamente, convertida em prisão domiciliar.
Segundo a investigação da Polícia Civil, Cleusa teria contratado o pistoleiro Kall Higor Pereira Machado, conhecido como “Meti Bala”, para executar o advogado. A motivação apontada seria uma dívida de aproximadamente R$ 4,5 milhões em honorários advocatícios.
A defesa argumentou ainda que a acusada é idosa, primária e que todas as audiências do processo já teriam sido realizadas. Para os advogados, a perícia no celular da vítima seria a única diligência pendente e dependeria exclusivamente do Estado.
O ministro Herman Benjamin, no entanto, entendeu que não havia ilegalidade evidente ou situação de urgência que justificasse a concessão da liberdade neste momento.
Na decisão, o presidente do STJ também afirmou que, em uma análise preliminar, não identificou falhas evidentes no acórdão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso que manteve a prisão preventiva. O caso ainda será analisado de forma definitiva pelo tribunal.
Ao prestar informações ao STJ, o juiz responsável pelo processo explicou que a tramitação não estaria paralisada por negligência do Judiciário. Segundo ele, a ação envolve quatro réus, dezenas de testemunhas, quebra de sigilos, perícias em aparelhos celulares, exames técnicos e outras diligências, o que contribui para a demora na conclusão do processo.
Dívida milionária
Cleusa foi presa durante a Operação Procuração Fatal, deflagrada pela Polícia Civil em julho de 2025. Também foram presos o filho dela, Alessandro Henrique Vageti, a neta Giovanna dos Santos Vageti e Kall Higor Pereira Machado, apontado como o executor do crime.
Conforme a investigação, os envolvidos teriam planejado a morte do advogado com o objetivo de evitar o pagamento de uma dívida de R$ 4,5 milhões em honorários. Os investigadores apontam ainda que os suspeitos acreditavam que José Antônio não tinha herdeiros e que, com a morte dele, a dívida deixaria de existir.
O advogado foi assassinado com um tiro na cabeça dentro da própria residência, em Nova Ubiratã. Dias antes do crime, ele teria enviado áudios a familiares relatando que estava sendo ameaçado. Mesmo diante das ameaças, afirmou que continuaria atuando nos processos que conduzia.
A Polícia Civil informou que os investigadores identificaram os suspeitos a partir do cruzamento de provas materiais e digitais, além de informações de inteligência. Segundo a investigação, os envolvidos também teriam tentado ocultar vestígios relacionados ao crime.

