O Tribunal de Justiça Desportiva de Mato Grosso (TJD-MT) decidiu arquivar, nesta quarta-feira (22), o processo que investigava o presidente do Campo Novo Futebol Clube, Alexsandro de Melo Silva, por uma suposta tentativa de manipulação de resultado em uma partida da segunda divisão do Campeonato Mato-grossense.
A decisão foi tomada por unanimidade pelos integrantes da Corte e contrariou o entendimento da Procuradoria de Justiça Desportiva, que havia defendido a condenação do dirigente e pedido seu banimento do futebol.
Segundo a Procuradoria, Alexsandro teria conhecimento de possíveis esquemas de manipulação envolvendo jogadores e apostas esportivas e, mesmo diante dessas informações, não teria tomado as medidas necessárias para impedir as práticas.
Apesar do arquivamento, o Tribunal determinou que uma cópia integral do processo seja encaminhada ao Ministério Público Estadual, para que o órgão tenha conhecimento dos fatos e avalie eventuais providências. A Corte também destacou que novas medidas poderão ser adotadas caso sejam apresentadas novas provas consideradas relevantes.
O processo foi instaurado após uma denúncia envolvendo uma suposta proposta para manipular o resultado de uma partida entre Campo Novo e Santa Cruz, disputada em 18 de abril, pela segunda divisão do Campeonato Mato-grossense.
Conforme o boletim de ocorrência registrado pelo presidente do Santa Cruz, ele teria sido procurado por Alexsandro, que supostamente ofereceu entre R$ 5 mil e R$ 8 mil para que o resultado da partida fosse favorecido. Ainda segundo o relato, outros R$ 8 mil seriam destinados a quatro jogadores para que reduzissem o desempenho durante o confronto.
O caso também ganhou novos elementos após o delegado de uma partida entre Sorriso e Campo Novo, disputada em 1º de maio e vencida pelo Sorriso por 9 a 0, relatar que teria conversado com Alexsandro à beira do gramado.
Segundo o depoimento, o dirigente teria afirmado que jogadores de sua equipe estariam sendo aliciados e pressionados por integrantes de um possível grupo criminoso para participar de esquemas ligados a apostas esportivas. Ainda de acordo com o relato, Alexsandro teria afirmado que não poderia tomar providências diante da situação.
Durante depoimento prestado ao TJD-MT, o presidente do Campo Novo confirmou que tinha conhecimento de possíveis tentativas de aliciamento de atletas por pessoas interessadas em apostas esportivas. Ele também afirmou que teria sido ameaçado e pressionado por integrantes de facções criminosas para escalar determinados jogadores.
O dirigente, no entanto, negou ter tentado comprar o resultado da partida contra o Santa Cruz. Segundo a versão apresentada por ele, a conversa com o presidente do clube adversário teria sido uma tentativa de alertá-lo sobre possíveis jogadores e empresários envolvidos em esquemas relacionados às apostas.
A Procuradoria de Justiça Desportiva entendeu que, mesmo sem comprovação de que o resultado de uma partida tenha sido efetivamente alterado, o dirigente poderia responder por infrações previstas nos artigos 242 e 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).
Com base na denúncia, a Procuradoria pediu a aplicação da pena máxima, incluindo o banimento do dirigente do futebol, além de multa que poderia variar entre R$ 100 e R$ 100 mil.
O Tribunal, porém, concluiu que as provas apresentadas não eram suficientes para sustentar uma condenação e decidiu pelo arquivamento do processo.
A denúncia havia sido recebida pelo presidente do TJD-MT, Samuel Franco Dalia Neto, em 25 de junho. A audiência de instrução e julgamento ocorreu na terça-feira (21), na sede da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF).
Procurado, Alexsandro de Melo Silva não havia se manifestado até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
A Federação Mato-Grossense de Futebol informou, por meio do presidente Diogo Pécora, que tomou as providências necessárias e encaminhou o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva assim que teve conhecimento dos fatos.

